Tecnologia social, universidade na floresta e indústria como plataforma de desenvolvimento regional

Se é verdade que a Amazônia é um desafio permanente, também é verdade que ela tem revelado, por meio de parcerias inteligentes entre a indústria e a academia, soluções novas para velhos problemas — locais e globais. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) é um exemplo eloquente disso. Presente em todos os municípios do estado, com estruturas ativas em regiões ribeirinhas, urbanas e rurais, a UEA é a maior universidade multicampi do Brasil — um feito pouco conhecido nacionalmente, mas que representa uma conquista civilizatória para a Amazônia.

E é mantida, integralmente, por um arranjo institucional singular: a indústria instalada na Zona Franca de Manaus é quem financia a universidade, por meio de um modelo constitucional de reinvestimento produtivo da Lei de Informática. Não se trata de um subsídio arbitrário. Trata-se de um pacto de inteligência coletiva, em que parte dos incentivos fiscais concedidos à indústria retorna à sociedade na forma de pesquisa, desenvolvimento, inovação e formação técnica e superior.

A Floresta em Pé como Plataforma de Inovação

Desde 2022, por meio da Agência de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual da UEA (AGIN), foram investidos mais de R$ 236 milhões em projetos de PD&I, que financiaram 580 bolsas para estudantes, 298 para técnicos e 561 para docentes. A floresta está sendo transformada em centros de pesquisa aplicada, startups tecnológicas e soluções sociais em áreas como:

🔵 Bioeconomia
🔵 Inteligência Artificial
🔵 Healthtech
🔵 Educação e Tecnologia Social

Os portfólios criados pela AGIN, como o HealthTech, e os programas como o PIÍSA (Programa de Inovação Tecnológica, Empreendedorismo e Sustentabilidade), demonstram que a floresta é, sim, um laboratório vivo de inovação, onde jovens amazônidas estão sendo habilitados – com recursos da Indústria – com novas competências para pensar e implementar o futuro.

Indústria, PIB e Intensidade Tecnológica

A Zona Franca de Manaus, frequentemente reduzida a um modelo tributário nos discursos desinformados, é, na verdade, a maior plataforma de indução de PD&I da Região Norte. Entre 2013 e 2024, empresas como Samsung, Transire, Diebold, Foxconn, Callidus, Tectoy e TPV investiram, juntas, centenas de milhões em pesquisa aplicada na UEA. Esse investimento explica por que o Amazonas, em sucessivos rankings nacionais de intensidade tecnológica, se destaca entre os estados com maior proporção de empregos industriais em setores de alta e média-alta tecnologia. É o único estado da Região Norte com essa característica, segundo critérios da OCDE aplicados pelo IBGE.

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Indústria e ciência de mãos dadas

Uma Universidade em Cada Canto da Floresta

Em muitos municípios, a UEA é a única instituição pública de ensino superior presente. Seu modelo de interiorização é radicalmente diferente do que se vê nas universidades federais de outras regiões: ela não apenas amplia acesso — ela gera pertencimento e permanência. Por isso, cada curso, cada laboratório, cada bolsa financiada com recursos da indústria é uma semente de soberania e inovação plantada na floresta.

universidade na floresta

Campinas Innovation Week – o Convite

Nesta semana, a UEA, através de sua Agência de Inovação, a convite, esteve em Campinas Innovation Week onde deixamos um recado simples, mas profundo: Venham passear na floresta. Mas venham também pesquisar. E, sobretudo, venham inovar. Porque a floresta em pé não é o ponto de chegada. É o ponto de partida da nossa inteligência coletiva.

alfredo
Antonio Mesquita
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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