Um acordo com gosto amargo: o balanço dos resultados da COP26

A surpresa pregada por Índia e China na questão do carvão no final da COP26 intensificou a frustração que muitos observadores já tinham com relação aos resultados finais da Conferência. Para um encontro que prometia manter viva a possibilidade de limitar o aquecimento em 1,5°C neste século, Glasgow foi um fiasco.

“A salvação do clima foi adiada mais uma vez, para 2022, quando o mundo volta a se reunir em Sharm el-Sheikh, no Egito, para avaliar metas mais ambiciosas para 2030”, declarou o Observatório do Clima, que lembrou também das restrições que dificultaram (e, em muitos casos, impediram) a participação de representantes de países pobres em Glasgow.

“A COP26 chega como um palanque de falsas soluções de governos e empresas que optam por atrasar a mudança sistêmica necessária para conter a crise do clima, em nome do status quo”, argumentou Fabiana Alves, do Greenpeace Brasil, no El País. “Houve avanços, mas os países ainda estão longe de alcançar 1,5°C até o fim do século para conter as piores consequências da crise do clima”.

“O Pacto pelo Clima de Glasgow [nome formal da decisão aprovada pela COP26], com toda a sua linguagem contida e diplomática, parece um pacto suicida”, criticou George Monbiot no Guardian. “Depois de tantos anos desperdiçados de negação, distração e demora, é tarde demais para mudanças incrementais”. Para ele, o caminho para chegarmos à disrupção na questão climática está cada vez mais nas mãos das próprias pessoas, frustradas com a omissão de seus governos e temerosas quanto aos impactos da crise climática em suas vidas e nas de seus filhos e netos.

Na mesma linha, mais de 200 cientistas publicaram no jornal britânico The Independent uma carta aberta com críticas à presença de interesses corporativos na COP26 e destacando a importância da mobilização popular para forçar as mudanças necessárias contra a crise climática. “Acreditamos que a captura corporativa da questão climática e o fracasso da COP26 mostram claramente que as pessoas nas comunidades e organizações devem agora liderar nossa própria resposta a emergências”, diz o texto.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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