O que as teias de aranha podem revelar sobre a poluição? Pesquisadores encontram resposta

Presença de nylon e de pedaços de garrafas pet foi detectada em todas as amostras de teias de aranha coletadas no campus da UFES

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) revela que os microplásticos não estão apenas nos oceanos e solos, mas também no ar que respiramos. A equipe de pesquisadores identificou a presença desses pequenos fragmentos de plástico a partir da análise de teias de aranha, que funcionaram como “filtros naturais” para capturar partículas suspensas no ar. A descoberta foi publicada na revista científica Journal of Hazardous Materials e realizada pelo Laboratório de Biologia Costeira e Análise de Microplástico (LaBCAM) da Universidade Federal do Espírito Santo.

Para o estudo inédito, uma equipe de 13 pessoas, incluindo alunos, estagiários e pesquisadores, analisou teias de aranha em 30 pontos diferentes no campus de Goiabeiras da UFES, em Vitória, especialmente em locais de grande circulação. Em todos os pontos analisados em laboratório havia a presença de microplásticos, sendo eles das mais variadas composições, como o nylon, que é utilizado em roupas, e até mesmo restos de garrafas pet.

Resumo gráfico dos procedimentos da pesquisa feita na UFES com teias de aranha
Resumo gráfico dos procedimentos da pesquisa feita na UFES com teias de aranha | Foto: Reprodução/Nature

Esta descoberta é significativa para a saúde pública, pois sugere que os microplásticos podem causar problemas respiratórios devido à inalação constante dessas partículas. A pesquisa acende um alerta sobre os riscos ambientais e à saúde, destacando a necessidade de mais estudos e de medidas para reduzir a presença de microplásticos no meio ambiente.

Microplástico foi encontrado em 30 teias de na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Microplástico foi encontrado em 30 teias de na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) — Foto: Divulgação/UFES

Análises e próximos passos

Três meses depois do início dos trabalhos para o estudo na universidade, os pesquisadores já tinham chegado ao resultado de contaminação por microplásticos a partir da observação das teias.

“Aproveitamos as teias de aranhas nas passarelas do campus e pensando principalmente examinar áreas em que estudantes e funcionários passa mais, porque se tivesse microplástico apontaria que as pessoas estão sujeitas a inalar. Então nós resolvemos perguntar para as aranhas”, relatou Mércia Barcellos, bióloga, doutora em oceanografia ambiental e uma das responsáveis pela pesquisa. 

Após coleta das teias de aranha espalhadas em campus da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), material foi analisado no laboratório
Após coleta das teias de aranha espalhadas em campus da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), material foi analisado no laboratório | Foto: Divulgação/Ufes

“Identificamos 3.138 microplásticos, sendo 2.973 filamentos e 165 fragmentos. E a partir daí separamos em relação ao tipo, pela cor e encontramos polímeros sintéticos como polipropileno, polietileno, que pode ser encontrado na garrafa pet e nylon que é encontrado na roupa, linhas de pesca, redes, cordames, praticamente em tudo” explicou a pesquisadora.

De acordo com a universidade, o grupo responsável pela pesquisa planeja estender o estudo a outros estados para compreender o alcance dos microplásticos atmosféricos e identificar quais métodos científicos seriam eficazes para prevenir essa poluição.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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