Reforma Tributária Encantada

O Brasil que produz vai continuar com os pés no chão e fazendo o PIB acontecer, mesmo observando o século XXI já a caminho do seu primeiro quarto e ainda com um Congresso tratando, sem avançar, de assunto do século XX, e pior, à revelia dos interesses do povo que o elegeu.

Por Juarez Baldoino da Costa
__________________

Desde o século XX o PIB do país nunca esperou pela Reforma Tributária.

O desempenho da economia brasileira nunca teve relação direta com o sistema tributário, tanto que desde 1995 o PIB variou de negativos 3,5% em 2015 a positivos 7,5% de crescimento anual em 2010, um espectro de 11%, fechando 2022 com cerca de 3% de aumento. Em todos estes 28 anos o sistema tributário foi sempre o mesmo.

A julgar pelos novos rumos da Reforma Tributária, a perspectiva é que ela continue encantada, já que existem as PECs 45/2019, 110/2019, 128/2019, 07/2020, entre outras, os 2 PL do governo federal anterior sobre PIS, COFINS e tributação de lucros, e o novo Ministro da Economia anunciou na semana passada que o governo vai encaminhar a sua proposta em abril/23.
reforma tributaria 1
Foto divulgação

Como exemplos, a 110 do ex-deputado Hauly que o senado desarquivou e subscreveu, tramitou por 20 anos no Câmara Federal e é a que mais discussões teve, mas não conseguiu conclusão. Pretende criar mais um tributo linear de alíquota única em substituição aos tributos de alíquotas variadas atuais que seriam extintos em 2 décadas.

A 45 de autoria do CCIF – Centro de Cidadania Fiscal, liderado por Bernard Appy, atualmente assessor de Haddad no Ministério da Fazenda, é a que também cria mais um tributo, o linear, conturba a burocracia por mais 20 anos no periodo de transição, e pretende ainda acabar com os subsídios federais que diminuem desigualdades regionais como as do Nordeste e Norte, entre outras.

180822bernard011
Bernard Appy — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

O autor considera que as regiões menos favorecidas devem encontrar elas próprias os seus caminhos para oferecer empregos aos seus habitantes.

A 07/2020 cria o Imposto de Renda estadual e o municipal, mantendo o atual IR federal, e copia a base do modelo norte americano.

Embora haja um desejo nacional de necessária diminuição da carga tributária e simplificação burocrática, o que se verifica nos textos em tramitação é que estes desejos foram ignorados, e todas as propostas preconizam a manutenção da indesejável carga tributária e criam uma burocracia ainda mais severa.

Com este contexto, o mais provável é que o tema continue encantado.

O Brasil que produz vai continuar com os pés no chão e fazendo o PIB acontecer, mesmo observando o século XXI já a caminho do seu primeiro quarto e ainda com um Congresso tratando, sem avançar, de assunto do século XX, e pior, à revelia dos interesses do povo que o elegeu.

Juarez é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

FOTO Juarez Baldoino

Juarez Baldoino da Costa
Juarez Baldoino da Costahttps://brasilamazoniaagora.com.br/
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

Artigos Relacionados

O CODAM, as Startups e os Caminhos de Redução das Desigualdades Regionais

A expansão industrial continua a movimentar investimentos e empregos...

Estudo revela que fumaça das queimadas gera custo anual de R$ 17,6 milhões ao SUS

Fumaça das queimadas eleva internações e gera custo anual de R$ 17,6 milhões ao SUS na Amazônia Legal e no Cerrado.

Combate ao desmatamento e incêndios terá R$ 337 milhões para Ibama e ICMBio

Governo destina R$ 337 milhões ao combate ao desmatamento, incêndios florestais e fiscalização ambiental pelo Ibama e ICMBio.

UM NOVO TEMPO PARA AS RESPONSABILIDADES PÚBLICAS

A nova configuração institucional proporcionada pela Lei Orgânica cria...

“O futuro do Amazonas está no interior”, afirma Marcelo Pereira ao projetar o pós-Reforma Tributária

Na primeira parte desta entrevista, “Podemos ser engolidos, Marcelo Pereira apresentou um...