PT pressiona STF a derrubar marco temporal das terras indígenas

STF recebe ação de partidos contra a lei do marco temporal para demarcação de terras indígenas, dando um novo capítulo ao intenso debate sobre direitos territoriais e legislação indigenista no Brasil.

O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu uma nova ação que contesta a lei definindo o marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Esta ação foi apresentada pelo PT, PCdoB e PV, que atualmente formam uma federação partidária.

Contestação da Lei

Em setembro, o Congresso Nacional aprovou uma lei, no mesmo dia em que o STF rejeitou a tese. Esta lei determina que somente terras ocupadas por povos indígenas até 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição, são elegíveis para demarcação. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, vetou essa parte da lei, mas o Congresso anulou seu veto recentemente, e a norma entrou em vigor no final de dezembro.

PT pressiona STF a derrubar marco temporal das terras indígenas
Rampa do Congresso Nacional no primeiro dia da III Marcha das Mulheres Indígenas – Jefferson Rudy/Agência Senado

Além desses partidos, PSOL, Rede e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também levaram suas preocupações sobre a lei ao Supremo. Em contrapartida, partidos de oposição ao governo, como PP, PL e Republicanos, defenderam a constitucionalidade do marco temporal, argumentando que a decisão final deve ser do Poder Legislativo.

As ações foram encaminhadas ao ministro Gilmar Mendes. Os partidos que apoiam o governo solicitaram que as ações fossem atribuídas a Edson Fachin “por prevenção”, já que ele foi o relator do caso que declarou a inconstitucionalidade da medida anteriormente.

Dep. Coronel Chrisostomo PL RO exibe placa a favor do Marco Temporal durante votacao do tema na Camara dos Deputados foto Pablo Valadares
Dep. Coronel Chrisóstomo (PL – RO) exibe placa a favor do Marco Temporal durante votação do tema na Câmara dos Deputados foto Pablo Valadares

Posicionamento dos Ministros

Tanto Fachin quanto Gilmar se posicionaram contra a tese no julgamento de setembro. Fachin apoiou totalmente as reivindicações indígenas e optou por não discutir a compensação aos proprietários de terras, enquanto Gilmar fez observações sobre a extensão das terras demarcadas e expressou que o problema não é a falta de terra, mas a falta de apoio.

Gilmar, ao votar em setembro, enfatizou a necessidade de realismo nas decisões, alertando que mesmo com a revogação do marco temporal, os desafios persistirão. Ele disse: “É preciso que tenhamos essa dose de realidade no nosso raciocínio, sob pena de estarmos a oferecer soluções ilusórias. Pode ser revogado o marco temporal, a dificuldade vai continuar”.

Com informações do Terra

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Amazonas enfrenta a fumaça com a prevenção ainda em segundo plano

O convênio  referente à emenda do senador Omar AZIZ,...

Anne Carson e a dignidade humana no tempo do embrutecimento

O Nobel de Literatura de 2026 reconhece uma obra...

A democracia no banco de trás

“Polarização, anarquia e uma conversa durante uma corrida de...

Infraestrutura, o debate da hora no Amazonas

"Ao reunir TCE-AM e TCU para discutir o Custo...

A Argentina é logo ali

"A presença de Javier Milei no palanque de Flávio...