Seca, defasagem cambial, aumento das exportações e safras incertas são alguns dos responsáveis por levar o preço do café às alturas
O clássico cafezinho está chegando cada vez mais caro na mesa dos brasileiros. Segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE em janeiro, o preço do produto subiu 39,60% em 2024.
Apesar de estar atrelado também à inflação, o preço do café apresenta uma dinâmica própria e um cenário atípico que explicam esse encarecimento da bebida. Isso inclui problemas climáticos que afetaram as safras, como secas e geadas, além do aumento dos custos de produção, como fertilizantes e transporte, resultando em preços elevados mesmo diante de uma safra maior.
Além disso, com a popularidade crescente, mas a incerteza em relação ao tamanho das safras de café devido aos fenômenos climáticos extremos nos países produtores, como Brasil e Vietnã, o preço do café no mercado internacional atingiu seu nível mais alto da história em dezembro, com o café arábica ultrapassando US$ 3,44 por libra (0,45 kg) – um aumento de mais de 80% em 2024.

Segundo levantamento recente, o produto atingiu sua maior cotação em 28 anos, desde que a série histórica passou a ser registrada. E a tendência é seguir numa crescente.
Demanda alta, produção baixa
“A demanda pela commodity continua alta, enquanto os estoques mantidos por produtores e empresas de processamento estão baixos”, diz Fernanda Okada, analista de preços de café da S&P Global Commodity Insights, à BBC Brasil. “A tendência de alta no preço do café deve persistir por algum tempo”, acrescenta.
De acordo com projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu primeiro levantamento para 2025, espera-se uma queda na produção do café no Brasil para o ano, o que contribui para que os preços continuem elevados. O órgão afirma que a safra deve atingir 51,8 milhões de sacas de 60 kg, uma queda de 4,4% em relação a 2024, devido a adversidades climáticas como restrição hídrica e altas temperaturas em fases essenciais do cultivo do café, que impactaram a produtividade.

A Conab apontou que os estados produtores de café vivem cenários distintos nesta safra. Minas Gerais, maior produtor do país, deve ter uma queda de 11,6% na produção, totalizando 24,8 milhões de sacas, devido ao ciclo de baixa bienalidade e à seca prolongada antes da floração. Por outro lado, o Espírito Santo espera um aumento de 9%, chegando a 15,1 milhões de sacas, impulsionado pelo crescimento de 20,1% na produção de conilon – uma das variedades de café -, que deve alcançar 11,8 milhões de sacas.
Gil Barabach, consultor da Safras & Mercado, afirma à CNN Brasil que a alta do preço do café pode beneficiar os agricultores com maiores retornos, mas impõe desafios às indústrias e ao comércio, que acabam repassando os custos ao consumidor final. Ele ressalta que os aumentos já impactam os preços internos, com potencial para novas altas, dado que as indústrias trabalham com estoques de curto prazo.
