PPBio aproxima ciência e indústria para impulsionar bioeconomia na Amazônia

PPBio conecta investimentos de P&D da Zona Franca de Manaus a projetos de inovação, conservação ambiental e uso sustentável da biodiversidade.

A Embrapa Amazônia Ocidental promoveu, na manhã de quarta-feira (6), em Manaus, a palestra “Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio)”, com o objetivo de aproximar pesquisadores, analistas e bolsistas de pós-graduação das oportunidades de financiamento voltadas à bioeconomia amazônica.

Realizado no Auditório Caiaué, o encontro contou com o apoio do Idesam e apresentou caminhos para a captação de recursos do Polo Industrial de Manaus (PIM) destinados a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação na região.

A atividade foi conduzida por Karol Barbosa, coordenadora do PPBio no Idesam. Durante a palestra, ela explicou como o programa atua na conexão entre empresas incentivadas pela Zona Franca de Manaus, instituições de ciência e tecnologia, startups e iniciativas ligadas ao uso sustentável da biodiversidade amazônica.

O PPBio é uma política pública da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), coordenada pelo Idesam, e tem como finalidade fomentar soluções associadas à conservação ambiental, ao desenvolvimento territorial e à valorização dos recursos naturais da Amazônia.

Na prática, o programa funciona como um mecanismo de articulação entre os investimentos obrigatórios em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) das indústrias incentivadas e projetos capazes de gerar inovação, renda e impacto positivo nos territórios amazônicos.

Atualmente, o PPBio reúne cerca de R$ 196 milhões em investimentos e conecta empresas, startups e comunidades locais com 19 Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs). O programa também soma 51 negócios incentivados, mais de 240 soluções inovadoras apoiadas e contribuição para a geração de mais de 800 empregos.

“A aproximação entre as instituições amplia a base de projetos financiados na região, unindo a experiência da Embrapa em pesquisa agropecuária e florestal aos mecanismos de fomento geridos pelo Idesam”, destacou Karol Barbosa.

Para a chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Amazônia Ocidental, Kátia Emídio, a iniciativa representa uma oportunidade de ampliar o acesso das equipes técnicas a novas fontes de fomento e fortalecer a aplicação prática do conhecimento científico produzido pela instituição.

“Aproximar os nossos pesquisadores e bolsistas do PPBio abre caminhos concretos para transformar o conhecimento científico em bioprodutos e soluções de mercado, conectando diretamente a nossa expertise em bioeconomia com o fomento do Polo Industrial de Manaus”, afirmou.

Após a apresentação, Karol Barbosa respondeu perguntas dos participantes e detalhou que o acesso aos recursos do PPBio ocorre exclusivamente por meio de editais e chamadas públicas. As oportunidades devem ser acompanhadas no portal oficial de chamadas do Idesam.

Os projetos apoiados pelo programa abrangem áreas consideradas estratégicas para a Amazônia, como bioeconomia, cadeias produtivas sustentáveis, conservação ambiental, manejo florestal, restauração, mitigação climática e neutralização de carbono.

Ao aproximar instituições de pesquisa, setor produtivo e instrumentos de financiamento, o PPBio busca ampliar a transformação do conhecimento científico em soluções sustentáveis. A iniciativa também evidencia o papel da bioeconomia como caminho para gerar inovação, conservar a biodiversidade e valorizar os territórios amazônicos.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Mutirão: a metodologia amazônica para equacionar entraves

A Amazônia desenvolveu, ao longo de séculos, uma tecnologia...

Cientistas testam nuvens artificiais para contem poder do El Niño

Estudo indica que nuvens mais refletivas podem enfraquecer o El Niño, mas alerta para riscos climáticos e efeitos sobre a La Niña.

Estudo revela perda de 80% da água no Pantanal com avanço das secas

Estudo revela que o Pantanal perdeu 80% da água superficial, ampliando riscos para biodiversidade, rios e comunidades tradicionais.