Por que não buscamos consensos sobre a Amazônia?

Retirar a cortina que oculta as motivações econômicas para a região é algo fundamental, para ficar claro que é possível gerar riqueza a partir da biodiversidade. Que é possível gerar empregos a partir dos potenciais, desde que eles deixem de ser potenciais e virem realidade.

Augusto César
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A ausência de um futuro compartilhado para o Brasil é um grande problema, que é partilhado por todas as regiões. Hoje vivemos em um clima de guerra, onde todos defendem ser contra o outro lado, não ofertando propostas para consenso. Há contrários a tudo, ódio de sobra, processos diversos e poucas buscas de união para esforços.

Vez por outra aparecem iniciativas isoladas e vamos atrás de quem as financia e qual o interesse declarado e qual o provável interesse não declarado. Este olhar afasta e assusta as pessoas dos consensos. A construção coletiva é algo delicado, lento, mas necessário para a busca de um mundo melhor. Enquanto estivermos no primitivismo das imposições e guerras, seguiremos no primitivismo da sociedade.

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Augusto César é professor da UFAM

Ninguém é dono da Amazônia e quem não gostaria de ser dono da região? Poderíamos talvez dizer que um pedaço dela é do Brasil. Porém, como no Pequeno Príncipe, o país não “cativa” a região. Ao contrário, o país faz constantemente o oposto. E quem mora na região não se sente cativado por causa dos vários desprezos vindos de fora. Assim, é natural o cenário que temos de ausência de consensos sobre o futuro.

A mudança deste cenário será possível? Certamente, mas as instituições é que promoverão esta mudança. Fora delas, será mero discurso para agradar os egos inflados das realizações que geram falso impacto. Ainda bem que hoje temos espaços para debater estas questões, mas ainda carecemos de clareza para dizer que os interesses que permeiam as questões ambientais são econômicos. Os interesses que os bancos possuem na região são econômicos e os interesses que deveriam nos mover também são os mesmos.

Retirar a cortina que oculta as motivações econômicas para a região é algo fundamental, para ficar claro que é possível gerar riqueza a partir da biodiversidade. Que é possível gerar empregos a partir dos potenciais, desde que eles deixem de ser potenciais e virem realidade. Esta transição da potencialidade e do futuro para o presente é que cansa todos nós que estamos no Brasil, pois convivemos com esta cilada chamada “país do futuro”. Não queremos isso – queremos um país próspero no presente. Chega de jogar para o futuro – vamos agir e trabalhar no presente, para poder construir algum futuro.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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