Perspectivas Econômicas para o Amazonas em 2025: Um Cenário de Oportunidades e Desafios

“Contudo, isso exige estratégias claras e alinhamento político. É mais do que justo que a riqueza gerada pelo estado seja priorizada em investimentos locais, especialmente em infraestrutura, inovação tecnológica e capacitação de mão de obra”.

Por Nelson Azevedo
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Com um desempenho extraordinário nos últimos meses em 2024, e com a segurança jurídica constitucionalmente resguardada, o que nos compete fazer para transformar este patamar da Zona Franca de Manaus na base de novos avanços?

Números impressionantes

O Amazonas encerrou 2024 com números impressionantes que confirmam sua relevância para a economia da Região Norte e para o Brasil como um todo. Com o estado respondendo por 30% de toda a atividade produtiva e econômica da região e recolhendo mais de 50% dos impostos federais gerados no Norte, o debate sobre a destinação prioritária dessa riqueza para o desenvolvimento da Amazônia se torna inevitável. Mais do que uma questão de justiça econômica, trata-se de garantir que o crescimento seja sustentável e beneficie toda a região.

Setor de Servicos se destaca

O crescimento setorial mostra um desempenho sólido em 2024, de janeiro acordo com dados econômicos publicados recentemente no JCAM. O setor de Serviços destacou-se com um crescimento de 26,44%, impulsionado pela recuperação do transporte e das atividades logísticas. Com infraestrutura estratégica e crescente demanda, 2025 promete consolidar essas bases, ampliando oportunidades de emprego e atraindo novos investimentos.

Perspectivas positivas do Comércio

No comércio, o aumento de 13,30% em 2024 reflete a retomada econômica e o fortalecimento do mercado consumidor amazonense, que tem acompanhado as tendências nacionais. Essa expansão poderá ser acelerada com a melhora do emprego formal e do poder de compra da população. São fatores que, atualmente, se encontram em alta e prometem um novo patamar com a inclusão do comércio do Amazonas na legislação ordinária da Reforma Tributária.

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Indústria, novos recordes

Já na indústria, os subsetores químico e termoplástico registraram crescimentos notáveis de 27,08% e 48,06%, respectivamente. Esse desempenho foi sustentado pela modernização do Polo Industrial de Manaus (PIM), que bateu recordes de faturamento em 2024. Esses números sinalizam um horizonte de diversificação econômica e maior inserção em mercados globais.

Postos de trabalho, o maior acerto

Emprego e renda sinalizam recuperação em curso. Com um aumento de 6,7% no estoque de empregos formais e destaque para a indústria de transformação (+9,1%), o mercado de trabalho no Amazonas deu sinais de recuperação em 2024. Em 2025, espera-se que reformas fiscais e novos incentivos atraiam empresas, intensifiquem contratações e ampliem o poder aquisitivo da população.

Desafios na Indústria Extrativista

Embora outros setores tenham avançado, a indústria extrativista enfrentou queda de 0,83%, com dificuldades particularmente no petróleo. Este desempenho ressalta a necessidade de modernização tecnológica e investimentos para tornar o setor competitivo novamente. Em 2025, a integração da bioeconomia pode apresentar alternativas viáveis para transformar a riqueza natural em valor econômico e social.

Urgência da infraestrutura de transportes

Logística é o gargalo que precisa de soluções. Apesar do aumento na arrecadação tributária, a infraestrutura logística do Amazonas segue como um entrave. O estado depende fortemente do transporte fluvial, que sofre com limitações operacionais e falta de investimentos estratégicos. A melhoria dessa infraestrutura será crucial para sustentar o crescimento do comércio, da indústria e da exportação.

MPF pede suspensão de obras na BR-319
Foto: Divulgação/DNIT

Reformas Fiscais e os riscos para o futuro

A reforma tributária, em curso, representa um desafio para o Amazonas. A redistribuição de recursos e a possibilidade de redução de incentivos fiscais à Zona Franca de Manaus exigem atenção e articulação política intensa. A bancada parlamentar da Amazônia terá papel crucial em garantir que o modelo econômico regional seja preservado e adaptado ao novo cenário nacional.

O caminho é a mobilização regional

Diante desse panorama, o que nos compete fazer? O Amazonas tem um desempenho robusto que pode ser transformado em uma plataforma de avanços ainda maiores. Contudo, isso exige estratégias claras e alinhamento político. É mais do que justo que a riqueza gerada pelo estado seja priorizada em investimentos locais, especialmente em infraestrutura, inovação tecnológica e capacitação de mão de obra.

Bancada Parlamentar da Amazônia, o propósito

A mobilização da bancada parlamentar amazônica deve ser uma prioridade, garantindo que os recursos advindos do crescimento econômico sejam aplicados de forma a beneficiar diretamente a região. Assim, o Amazonas poderá consolidar sua posição como motor econômico do Norte e catalisador de um desenvolvimento sustentável para toda a Amazônia brasileira.

Nelson Azevedo

Nelson é economista, empresário e presidente do sindicato da indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.

Nelson Azevedo
Nelson Azevedo
Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM

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