Os perigos da complacência inativa

“A redução das operações de movimentações de cargas da China para o mundo trará uma nova oportunidade para a nossa indústria. Será um perigo não aproveitar.”

Augusto César Barreto

Augusto César Barreto Rocha (*)  [email protected]

Por uma série de razões históricas, adquirimos como sociedade um hábito de complacência inativa. A “disposição habitual para corresponder aos desejos ou gostos de outrem com a intenção de ser-lhe agradável” é um comportamento tipicamente adotado em nossa região, desligando-nos de interesses coletivos. Assim, a maior parte de nós cuida de suas próprias preocupações, sem a alocação ativa de tempo para cuidar de interesses maiores. Deixamos para que “outros” tomem conta dos interesses coletivos.

Indiferença e comodismo

​Por quais razões este comportamento não muda? Porque os comandantes de plantão assim preferem. Quando temos uma sociedade ativa, tentando modificar a realidade? Quando (1) existir um incômodo com a condição apresentada e (2) credo na possibilidade de mudança a partir do ato de cada um. O que temos de maneira geral é um pequeno incômodo, aqui e acolá. Não há grandes incômodos. E, quem está com grandes incômodos e necessidades não acredita na possibilidade de mudança, pelo excesso de poder do outro. Conclusão: quem tem o (1) não tem o (2) e vice-versa.

Mudar é temerário? 

​Modificar esta dinâmica é uma responsabilidade de todos. Não há uma pessoa específica com este papel. A sociedade como um todo é responsável. Entretanto, a complacência nos persegue, porque ela é rentável para quem está nos topos das cadeias de comando. Existe uma perigosa dependência do Polo Industrial de Manaus. Alguém duvida disso? Não. Assim, tapamos os olhos e ouvidos para qualquer alternativa a ele e declaramos como inimigos quem ousa questionar esta dependência. Até quando manteremos esta prática?

Janelas de oportunidades 

Será que o Ciclo da Borracha se repetirá? Ou será que abraçaremos a grande e enorme oportunidade que se abre com a globalização em risco, por meio de um risco de pandemia e uma moeda que desvaloriza? Abre-se novamente uma enorme janela de oportunidade para o desenvolvimento da indústria nacional, neste novo patamar cambial. Prever câmbio futuro é uma quase-impossibilidade… Dias atrás a revista Conjuntura Econômica falava em uma relação de R$ 3,60 / US$ 1 e nesta segunda-feira a relação é R$ 4,63 / US$ 1. Esta enorme desvalorização demonstra uma grande possibilidade para o desenvolvimento da indústria nacional. A economia se move rapidamente. A redução das operações de movimentações de cargas da China para o mundo trará uma nova oportunidade para a nossa indústria. Será um perigo não aproveitar.

(*) Professor da UFAM.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

Artigos Relacionados

Cobra com patas de 100 milhões de anos muda teoria sobre evolução das serpentes

Fóssil de cobra com patas encontrado na Argentina revela novas pistas sobre a evolução das serpentes e desafia teorias antigas.

O que são panapanás? Entenda o fenômeno das borboletas na Amazônia

Panapaná reúne milhares de borboletas na Amazônia e revela conexões entre ciclos dos rios, biodiversidade e mudanças climáticas.

Terras raras, soberania rara

Num mundo em disputa por minerais críticos, semicondutores, dados...

Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Estudo revela que microplásticos transportados pelo ar vêm majoritariamente da terra e desafiam modelos globais sobre poluição.

Após 10 anos, Brasil atualiza lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção

Nova lista atualiza cenário das espécies aquáticas ameaçadas no Brasil e reforça medidas contra sobrepesca, poluição e perda de habitat.