Mudanças climáticas e Amazônia – estudo indica impactos no desenvolvimento do Tambaqui

As mudanças climáticas impulsionadas pelas emissões de gases de efeito estufa vêm ocorrendo de forma acelerada, afetando a dinâmica ambiental e os seres vivos. Entre todos os biomas afetados biomas, a Amazônia está particularmente sujeita a impactos adversos, tais como aumentos de temperatura e acidificação da água.

Este estudo teve como objetivo avaliar os impactos de mudanças climáticas previstas no crescimento inicial e desenvolvimento de um importante peixe para a alimentação na Amazônia, o tambaqui. Analisamos o desempenho do crescimento, e monitoramos o processo osteogênico inicial e o surgimento de anomalias esqueléticas, quando as larvas foram expostas a três cenários de mudança climática: brando (B1, aumento de 1,8°C, 200 ppm de CO2); moderado (A1B, 2,8°C, 400 ppm de CO2); e drástico (A2, 3,4°C, 850 ppm de CO2), além de uma sala de controle que simulava as condições de uma floresta tropical intacta. A exposição a cenários de mudança climática (B1, A1B, e A2) resultou em baixa sobrevivência, especialmente para os animais expostos a A2 (24.7 ± 1.0%). O desempenho zootécnico nos cenários B1 e A1B foi maior quando comparado com o atual e A2, exceto pelo fator de condição, que era mais alto em cenários atuais (2,64 ± 0,09) e A1B (2,41 ± 0,14).

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Entretanto, a análise do esqueleto revelou maior incidência de anormalidades em larvas expostas a A1B (34,82%) e A2 (39,91%) em comparação com os cenários atuais (15,38%). Além disso, a coloração ósseas revelou que após 16 dias após-eclosão (7,8 ± 0,01 mm de comprimento total), as estruturas esqueléticas ainda eram cartilagíneas, não mostrando nenhuma mineralização em todos os cenários.

Concluímos que as larvas de tambaqui estão bem adaptadas a altas temperaturas e pode sobreviver a mudanças climáticas moderadas. No entanto, diante de condições climáticas mais severas, seu desenvolvimento pode ser comprometido, resultando em altas taxas de mortalidade e aumento de anomalias esqueléticas, o que evidencia que a mudança climática global dificultará crescimento de larvas de tambaqui e ontogenia do esqueleto.

Nota

As influências que a mudança climática exercerá nesta espécie e sua resposta a tais impactos envolve mecanismos complexos (Prado-Lima & Val, 2016) que devem ser estudados a fim de melhor compreender como esta importante espécie responderá às variações climáticas futuras. Um estudo recente demonstrou que um dos principais desafios atuais para as espécies amazônicas é a mitigação das influências antropogênicas neste bioma (Foster, Falter, McCulloch, & Clode, 2016). Neste sentido, ações urgentes de conservação devem ser levadas em conta a fim de reduzir tais impactos sobre este bioma (Assunção, Gandour, & Rocha, 2015). Em conclusão, as alterações ambientais causadas pelas mudanças climáticas previstas para o final do século afetarão o crescimento, a sobrevivência e o desenvolvimento esquelético das larvas de Colossoma macropomum, uma importante fonte de proteína para alimentação da população da Amazônia.

Confira o artigo na íntegra, em inglês, clicando aqui.

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Adalberto Luis Val é um biólogo, pesquisador e professor universitário brasileiro. Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências desde 2005, é pesquisador e professor no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.
Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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