Os Militares, a Indústria e a Sustentabilidade

“Os militares reafirmam a sacralidade da soberania; a indústria quer competitividade; a sociedade clama por oportunidades. A síntese é clara: defender a Amazônia é diversificar o Polo Industrial, ativar a bioeconomia, planejar logística sob medida e romper com a desigualdade histórica.”

Coluna Follow-Up

A história dá pistas, e o presente reforça a resposta: querem soberania. Mas o conceito de soberania mudou. Já não se trata apenas de ocupar territórios com tropas, assistência populacional e engenharia regional, mas de proteger e sustentar a Amazônia com infraestruturas inteligentes, indústria competitiva e bioeconomia de valor agregado.

Linha do tempo da presença militar

• 1760–1850 – Primeiros fortes e expedições, como o de São Gabriel da Cachoeira, marcam o esforço de fixar bandeiras e proteger fronteiras.

• 1760–1850 – Primeiros fortes e expedições, como o de São Gabriel da Cachoeira, marcam o esforço de fixar bandeiras e proteger fronteiras.

• 1890 – O Plano da Comissão já pensava a integração hidroviária da região. Mas 135 anos depois, muitos planos continuam no papel .
• 1964–1985 – Durante a Ditadura Militar, a doutrina era “integrar para não entregar”. Vieram a Transamazônica e a Zona Franca de Manaus, símbolos de modernização, mas também de contradições: empregos e indústrias de um lado; desmatamento e desigualdades do outro.

 1964–1985 – Durante a Ditadura Militar, a doutrina era “integrar para não entregar”. Vieram a Transamazônica e a Zona Franca de Manaus, símbolos de modernização, mas também de contradições: empregos e indústrias de um lado; desmatamento e desigualdades do outro.
A construção da Transamazônica – Reprodução

• 1990–2000 – O programa Calha Norte consolidou a defesa de fronteiras, mantendo a lógica de militarização distante do cotidiano econômico.

• 1990–2000 – O programa Calha Norte consolidou a defesa de fronteiras, mantendo a lógica de militarização distante do cotidiano econômico.

• 2025 – O quadro se transforma: a ESG vai à Fieam e estrategistas e estagiários militares ouvem da indústria e do governo local que a soberania se defende com empregos, tributos e inovação — não só com farda e disciplina.

Indústria como escudo da soberania

Para Augusto César Rocha, diretor da FIEAM, o dado central é simples: 52% do valor bruto da produção do Amazonas vem da indústria de transformação . É ela que sustenta a arrecadação, financia políticas públicas e ancora a presença do Estado. Sem indústria, a Amazônia seria colônia; com ela, pode ser potência.

Mas Rocha não poupou críticas: “quanto mais continuarmos extrativistas, mais seremos empurrados para a condição de colônia”. Daí a ênfase na bioeconomia, que ainda está distante: fala-se muito, mas faltam ações estruturais . O desafio é não deixar a biotecnologia virar “mais um sonho perdido”.

O debate destacou o papel das terras raras como ativo estratégico da Amazônia. Elas são insumo central para a transição energética global. A soberania, portanto, exige que o Brasil não se limite a exportar minério bruto, mas agregue valor com ciência, tecnologia e indústria limpa, garantindo que a riqueza mineral não se converta em nova dependência colonial.

O nó da infraestrutura e da desigualdade

Rocha foi incisivo: desde o Plano da Comissão de 1890, o país coleciona planos logísticos sem execução — hidroviário, portuário, ferroviário, rodoviário . Resultado: uma tecnocracia da desigualdade, que concentra recursos onde o poder econômico já é forte e mantém a Amazônia refém de gargalos logísticos.

O encontro entre ESG, FIEAM e governo local simboliza um novo pacto. Os militares reafirmam a sacralidade da soberania; a indústria quer competitividade; a sociedade clama por oportunidades. A síntese é clara: defender a Amazônia é diversificar o Polo Industrial, ativar a bioeconomia, planejar logística sob medida e romper com a desigualdade histórica.

Ele defende um novo jogo para o Arco Norte: adotar pesquisas científicas para planejar cadeias produtivas sustentáveis, estruturar retroportos e armazéns, investir 2,5% do PIB em logística até 2040, e sobretudo, conciliar infraestrutura com proteção ambiental.

Os alertas constitucionais

A despeito das colorações políticas que se sucedem, a Constituição de 1988 reconhece o valor da Amazônia, criou a noção de Amazônia Legal e estabeleceu como metas o desenvolvimento “*inclusivo e sustentável” e a “integração competitiva da base produtiva regional*”.

Esse pacto constitucional precisa ser resguardado.

• As ações militares, legítimas na defesa do território, não podem ser desviadas pelas tentações do imediatismo dos governos periódicos.
• O calendário curto da política não pode conflitar com os princípios constitucionais de sustentabilidade e com os direitos das comunidades amazônidas.
• O verdadeiro desenvolvimento inclusivo só terá sentido se for medido em oportunidades distribuídas, dignidade assegurada e respeito às singularidades da floresta.

O pacto amazônico de 2025

Gustavo Igrejas, secretário-executivo da Sedecti, trouxe os números que dão concretude: só em uma reunião do CODAM foram aprovados 189 projetos, R$ 9,4 bilhões e 132 mil empregos . Ou seja, a Amazônia não é periferia em crise: é um polo em expansão. E expansao com indústria da Defesa, prevista na Nova Indústria Brasil.

O encontro entre ESG, FIEAM e governo local simboliza um novo pacto. Os militares reafirmam a sacralidade da soberania; a indústria quer competitividade; a sociedade clama por oportunidades. A síntese é clara: defender a Amazônia é diversificar o Polo Industrial, ativar a bioeconomia, planejar logística sob medida e romper com a desigualdade histórica.

“Na Amazônia, soberania não se mede em quartéis, mas em ciência, indústrias limpas e infraestrutura que respeita a floresta.”

Coluna Follow-up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas, às quartas quintas e sextas-feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal BrasilAmazoniaAgora.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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