Microempresário consegue autorização para exploração de nióbio em área maior do que a cidade de SP

A Agência Nacional de Mineração (ANM) concedeu a um único empresário o direito de prospectar nióbio na Amazônia em áreas que somadas teriam o tamanho de 1,5 vezes a cidade de São Paulo. João Carlos da Silva Martins é sócio de uma microempresa e aparece como ex-beneficiário do auxílio emergencial. As áreas concedidas à empresa dele, a Ourocan Serviços de Apoio e Logística para Mineração, passam sobre um assentamento de reforma agrária e pelas bordas de uma Terra Indígena e de uma Unidade de Conservação.

À Folha, Martins foi logo esclarecendo que não tinha nada a ver com o governo. “Sou minerador e acompanho o mercado”, explicou. O nióbio é a cloroquina que Jair Bolsonaro inventou para incentivar a mineração em Terras Indígenas. Segundo a mesma matéria da Folha, nos três primeiros anos sob o mandato de Bolsonaro, a ANM concedeu 171 autorizações de pesquisa para o minério, 64 delas na Amazônia. No triênio anterior, foram 74 autorizações, e 25 para a região amazônica. O crescimento foi de 156%. O Antagonista destacou a alta na exploração do metal, e também a estabilidade da baixa demanda doméstica e internacional.

Mas há um outro recurso mineral abundante na Amazônia e para o qual a demanda é sempre crescente: água. Em uma live para o Valor, o pesquisador Tasso Azevedo, do MapBiomas, alertou que a perda de 15% na cobertura de água em todo o país prejudicará atividades econômicas fundamentais, como a geração de energia. E que é possível que essa secura já esteja em curso na Amazônia, peça central no sistema de formação de chuvas para Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Caetano Scannavino,

Coordenador do Projeto Saúde & Alegria na região do rio Tapajós, escreve na Folha sobre as verdadeiras riquezas da região. Para ele, esses potenciais não florescem como poderiam devido a uma cultura de banditismo ambiental cada vez mais forte na região.

Em tempo: Um Só Planeta reporta a relação ganha-ganha entre os grandes players globais do setor de cosméticos e as cooperativas especializadas em bioativos da Amazônia. Um dado chama a atenção: 16,5% dos insumos usados pela Natura, quarta maior companhia de cosméticos do mundo, vêm da Amazônia.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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