Itália inclui defesa do meio ambiente em sua Constituição

Enquanto o governo Bolsonaro faz de tudo para desmantelar a legislação ambiental brasileira – que já foi considerada uma das melhores do mundo -, na Itália, parlamentares aprovaram na 3ª feira (8/2) uma lei constitucional para que o Estado salvaguarde o ambiente, a biodiversidade e o ecossistema “também no interesse das futuras gerações”.

Pela legislação, iniciativas econômicas não devem prejudicar a saúde ou o meio ambiente. A lei chega em um momento em que a Itália está se posicionando frente à União Europeia como um país apto a receber investimentos verdes para a transformação econômica no período pós-pandêmico, segundo informa a Reuters.

Segundo o Euronews, a votação foi considerada histórica e aconteceu no momento em que a União Europeia exige que os países invistam em ações climáticas pelo menos 37% do fundo de recuperação pós-COVID – um montante total de 800 bilhões de euros. A Itália será a maior beneficiária do fundo, seguida pela Espanha, país que teve seu plano de recuperação verde aprovado em Bruxelas, informa o Financial Times. A Ministra de Energia e Meio Ambiente da Espanha, Teresa Ribera, disse que os recursos são a chance de uma vida no combate às mudanças climáticas e na transição energética europeia.

O governo alemão também deu sinais claros de que a pauta climática e ambiental é prioridade da Alemanha, e será encarada como um dos principais desafios do século 21. Nomeou nesta 3ª feira (8/2) como diplomata alemã para o clima a ex-diretora executiva da ONG ambientalista Greenpeace, Jennifer Morgan. Conforme a Associated Press, a ministra das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, anunciou que haverá reorganização e realocação de recursos, e afirmou que as 226 missões diplomáticas alemãs ao redor do mundo serão “embaixadas climáticas”.

Já o Reino Unido, país que saiu do bloco europeu em 2020, está temeroso frente às sinalizações do primeiro-ministro Boris Johnson, que vão na direção oposta ao plano net-zero daquele país. Recentemente, Johnson estendeu o prazo de operação de uma mina de carvão no País de Gales, aprovou uma nova em Cúmbria, município na divisa da Inglaterra com a Escócia, e aprovou a exploração de petróleo e gás no Mar do Norte. O Guardian traz mais informações. O jornal também destaca que os conservadores, diante do risco de crise, estão vendo uma oportunidade para criticar o plano net-zero britânico.

Em tempo: Comprometidos, “pero no mucho!”. A União Europeia dividiu opiniões entre seus países-membro ao incluir usinas de gás e nucleares – desde que elas atendam a determinados critérios – no livro de regras de investimentos para “finanças sustentáveis”. A taxonomia foi classificada de “conto de fadas” pelo Euractiv. A Reuters alerta que se a Comissão Europeia, em Bruxelas, não adotar regras de “padrão ouro”, e continuar rotulando gás e nuclear como “sustentáveis”, cada país-membro vai acabar definindo seus próprios padrões de investimento verde.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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