Marina Silva cancela medida que retirava proteção de espécies ameaçadas de extinção

Medida que permitia a caça de animais nativos havia sido assinada nos últimos dias do governo Bolsonaro e foi agora revogada por Marina Silva

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, revogou nesta segunda-feira (30) as portarias editadas no fim do ano passado pelo governo Bolsonaro que permitiam a exploração de espécies nativas. Apelidado de Conserva +, o programa elaborado pelo ex-ministro Joaquim Leite revogou 17 portarias criadas de 2014 a 2022 e abriu a porteira para caças de animais nativos. 

Com a revogação feita por Marina Silva, as portarias voltam a valer a partir de agora, inclusive as que instituem as listas vermelhas de espécies ameaçadas de plantas, vertebrados e peixes de 2014.

Joaquim Leite Marina Silva cancela medida que retirava proteção de espécies ameaçadas de extinção
Joaquim Leite- Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Conserva – 

Editado em 14 de dezembro, o programa “de conservação” Conserva +  continha expressões como “manejo”, “uso sustentável” e “redução de conflitos” em seu Artigo 14, que, segundo especialistas, estariam mascarando a possibilidade de que variadas espécies, no caso não ameaçadas de extinção, fossem alvo do tiroteio. A medida é alinhada a projetos tramitando no Congresso que liberam a caça esportiva no país, adianta Aldem Bourscheit, em reportagem de ((o))eco sobre o programa

“O artigo tem brechas inclusive para que seja autorizada a criação de determinadas espécies em áreas específicas para manejo econômico, ou seja, o estabelecimento de fazendas de caça. Isso terá grandes implicações jurídicas e no manejo de fauna no país”, avaliou na época o biólogo Paulo Pizzi, presidente do Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais. A entidade integra uma campanha nacional contra a matança de animais silvestres.

Fonte: O Eco

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O rio além da draga – PARTE I – Coluna Follow-Up

A mobilização das entidades do Amazonas para trazer os atores federais ao debate logístico merece ser reconhecida. Durante muito tempo, a navegação amazônica foi tratada em Brasília como uma facilidade concedida pela geografia: rios largos, extensos e aparentemente inesgotáveis dispensariam a disciplina de planejamento reservada às rodovias, ferrovias e portos. As secas de 2023 e 2024 expuseram o preço dessa ilusão. A presença recente do Ministério de Portos e Aeroportos, da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação e do DNIT abre uma oportunidade que a região não deve desperdiçar. Para aproveitá-la, será preciso qualificar o debate e distinguir uma obra necessária em certos pontos de uma política capaz de organizar todo o sistema.

Terra Indígena Apyterewa: desmatamento caiu de 102 km² para 7,5 km² após a retirada de invasores

Terra Indígena Apyterewa reduz o desmatamento após desintrusão, mas ameaças e risco de novas invasões ainda preocupam o povo Parakanã.

Mais de 90% das espécies de fungos nunca foram descritas; entenda por que isso importa

Brasil reconhece 24 fungos ameaçados de extinção e amplia a proteção diante da perda de habitats.