Zona Franca de Manaus atinge recorde e deve faturar R$ 217 bilhões em 2025

Apesar da confiança na indústria nacional cair, Zona Franca de Manaus mantém cenário de otimismo e projeta faturar R$ 217,6 bilhões em 2025, afirma CIEAM.

Em trajetória oposta ao cenário de retração enfrentado por parte da indústria brasileira, a Zona Franca de Manaus (ZFM) caminha para registrar um faturamento histórico em 2025. De acordo com projeções do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), a região deve movimentar R$ 217,6 bilhões até o final do ano, um crescimento de 6,7% em relação ao desempenho de 2024.

O avanço ocorre mesmo diante de um Índice de Confiança da Indústria (CNI) abaixo da média nacional, que em julho marcou 46,2 pontos. No Amazonas, o mesmo indicador atingiu 59,6 pontos, refletindo um ambiente de otimismo e dinamismo industrial acima da média.

Segundo André Ricardo Costa, coordenador de Indicadores do CIEAM, os resultados refletem a capacidade de adaptação do Polo Industrial de Manaus (PIM). “O crescimento atual não reflete apenas a força de setores tradicionais, mas também a capacidade de adaptação e resiliência do PIM frente às oscilações do mercado”, afirma.

Um dos destaques de 2025 na Zona Franca de Manaus é o setor relojoeiro, que vem liderando a expansão da produção local. Somente em julho, o segmento cresceu mais de 40% em relação ao mês anterior, acumulando 4,8 milhões de unidades produzidas entre janeiro e julho, com faturamento superior a R$ 960 milhões.

Funcionários em linha de montagem de relógios em fábrica, setor é líder na Zona Franca de Manaus
Setor relojoeiro impulsiona o crescimento da ZFM, com mais de 4,8 milhões de unidades produzidas até julho. Foto: Citizen

Além disso, o estudo do CIEAM aponta três pilares para o cenário positivo da ZFM: os avanços na Reforma Tributária, que fortalecem a segurança jurídica do modelo; o aumento da renda e da empregabilidade, que impulsionam o consumo; e a expectativa de uma estiagem moderada, minimizando riscos logísticos.

A infraestrutura integrada da região — com portos, aeroportos e serviços — também se mostra um diferencial. “No ano passado, vimos uma operação inédita para manter o fluxo logístico durante a seca, o que reforçou a confiança do setor”, destaca Costa.

Para o coordenador, o desempenho da Zona Franca de Manaus reforça seu papel como motor econômico não apenas da Amazônia, mas do país. “O otimismo registrado no Amazonas mostra que o modelo da Zona Franca continua cumprindo seu papel de gerar empregos, atrair investimentos e sustentar a economia em momentos de incerteza nacional”, conclui.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

A insensatez de incendiar a floresta que abastece o Brasil

Com a chuva gerada pela Amazônia avaliada em mais...

Desmatamento na Amazônia atinge menor nível em 41 anos, aponta MapBiomas

Desmatamento na Amazônia cai ao menor nível em 41 anos, com 693 mil hectares perdidos em 2025, aponta MapBiomas.

Incêndios no Amazonas: Abin entra na investigação para apurar suspeita de ação organizada

Ministro aponta suspeita de ação organizada nos incêndios no Amazonas. Força-tarefa abre 120 procedimentos para investigar possíveis crimes.

Promessa de Flávio Bolsonaro contra desmatamento contrasta com atuação no Senado

Flávio Bolsonaro promete zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas apoiou e promoveu medidas que reduzem a proteção ambiental.

As miragens de Trump e a conta para o Brasil

"Os Estados Unidos acumulam uma década de superávits comerciais...