Manaus tem o agosto mais seco em 40 anos e a vazante acelera

Precipitação ficou muito abaixo da média histórica e comportamento do nível do Rio Negro se aproxima do observado durante a seca extrema de 2023.

Manaus encerrou agosto com apenas 2,4 milímetros de chuva, o menor volume registrado na capital nas últimas quatro décadas. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado ficou atrás somente do observado em 1986, quando foram registrados 1,6 milímetro de precipitação.

O volume também representa uma redução de 97,8% em relação a agosto de 2025, que acumulou 111,8 milímetros. A diferença é ainda mais evidente na comparação com a média climatológica do mês, estimada em 56 milímetros.

A única chuva registrada na cidade ocorreu no dia 22, após semanas de tempo seco e temperaturas elevadas. O episódio trouxe alívio temporário, mas teve pouco impacto sobre o acumulado mensal.

Em entrevista ao G1, o meteorologista e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, a diminuição das precipitações entre julho e setembro já era esperada. Entretanto, a influência do El Niño intensificou a presença de ar seco, reduziu a formação de nuvens e contribuiu para o baixo volume de chuva em agosto.

Calor e seca devem continuar

A previsão é de que o El Niño continue interferindo no clima da Amazônia ao longo dos próximos meses, com possibilidade de atingir sua fase mais intensa entre outubro e dezembro. O fenômeno pode atrasar o início da estação chuvosa e prolongar os períodos de calor extremo na região.

O pesquisador avalia que o cenário apresenta semelhanças com 2023, ano marcado por ondas de calor e uma estiagem histórica. Desde julho, o nível do Rio Negro registra um movimento de descida próximo ao observado naquele período, aumentando a atenção para o avanço da vazante.

Os efeitos também podem alcançar bacias da margem direita do Amazonas, como as dos rios Tapajós, Xingu e Abacaxis. Apesar disso, especialistas ressaltam que o nível do Rio Negro não depende apenas das chuvas registradas em Manaus.

A dinâmica dos rios amazônicos é influenciada pelas precipitações nas cabeceiras e ao longo das calhas dos afluentes, distribuídas por uma extensa área. Por esse motivo, a evolução do nível do Rio Negro precisa ser analisada a partir das condições de toda a bacia hidrográfica.

Agosto também concentrou as maiores temperaturas do ano na capital. No dia 31, os termômetros chegaram a 37,3°C, superando os 37,1°C registrados no dia 25. Outros dias do mês tiveram máximas próximas ou superiores a 36°C.

Para setembro, a expectativa é de continuidade do calor, com temperaturas acima da média de agosto. Manaus, Parintins e Nhamundá estão entre os municípios que podem ser mais afetados.

A combinação de chuvas escassas, temperaturas elevadas e influência do El Niño amplia os riscos ambientais durante o verão amazônico. O acompanhamento do nível do Rio Negro, das demais bacias e das condições meteorológicas será fundamental para avaliar a intensidade da estiagem nos próximos meses.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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