“A Amazônia não precisa de promessas — precisa de protagonismo. E é justamente isso que a universidade, em parceria com o setor produtivo, está pronta para oferecer: um futuro sustentável, baseado na logística reversa, na economia circular e na justiça social”
Coluna Follow-Up
Por Antônio Mesquita e Alfredo Lopes
O recente Decreto Federal nº 12.688/2025, que institui o Sistema Nacional de Logística Reversa de Embalagens Plásticas, inaugura um novo capítulo da política ambiental brasileira. Ele redefine responsabilidades, metas e instrumentos de certificação para fabricantes, importadores e comerciantes, mas sobretudo convida a sociedade a um pacto de corresponsabilidade. Para a Amazônia, esse decreto é mais do que uma norma: é um convite à inteligência local, à inovação tropical e à ciência aplicada ao território*.
Nesse contexto, na opinião do reitor André Zogahib, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) emerge como protagonista natural. Com presença multicampi e uma missão profundamente conectada ao desenvolvimento sustentável, a UEA tem a capacidade singular de transformar a logística reversa em um laboratório vivo de conhecimento, inovação e inclusão socioambiental. Por meio da Agência de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual (Agin/UEA), a universidade vem articulando pesquisas, startups e programas de inovações capazes de integrar o desafio da reciclagem ao modelo da bioeconomia amazônica.
Mas o que realmente fortalece essa agenda é o diálogo crescente entre a UEA e as entidades representativas da indústria amazonense, como o CIEAM e a FIEAM. Essa parceria tem permitido alinhar o conhecimento científico à prática produtiva, traduzindo o imperativo da sustentabilidade em critério essencial do processo industrial. Na medida em que a indústria busca adensar e diversificar suas cadeias produtivas, o suporte científico e tecnológico da universidade contribui para transformar a logística reversa em vetor de inovação tecnológica e de competitividade ambiental.
Essa convergência entre universidade e setor produtivo reflete uma nova mentalidade: a de que o desenvolvimento sustentável não é um apêndice, mas a espinha dorsal da economia moderna. A universidade oferece o saber técnico e metodológico; a indústria, a capacidade de escalar soluções e aplicá-las na vida real. Juntas, constroem um ecossistema de inovação que transforma resíduos em insumos, conhecimento em valor e sustentabilidade em vantagem competitiva.
A nova legislação federal, ao definir metas de recuperação de embalagens plásticas pós-consumo e prever mecanismos de certificação ambiental, cria o ambiente ideal para consolidar essa aliança. A Amazônia passa a ser mais do que o território onde os desafios são maiores, mas também o lugar onde as soluções inovadoras podem nascer com originalidade, pertinência e identidade local.
Mais do que cumprir metas, trata-se de redefinir o conceito de valor. Cada embalagem recolhida no interior, cada cooperativa estruturada, cada jovem pesquisador envolvido representa um elo de uma cadeia que reconcilia economia e natureza. A UEA, com suas parcerias institucionais, pode ser o coração dessa engrenagem, unindo ciência, educação, indústria e compromisso social.
A logística reversa, quando pensada a partir da Amazônia, deixa de ser uma obrigação regulatória para se tornar expressão da soberania ambiental e tecnológica. Ao integrar universidades, empresas, governos e comunidades, o Amazonas pode demonstrar ao Brasil — e ao mundo — que é possível produzir com responsabilidade, inovar com consciência e crescer com a floresta em pé.
O decreto federal oferece as diretrizes; cabe à UEA, à Agin e às entidades da indústria transformar essas linhas em práticas exemplares de ciência amazônica aplicada. A Amazônia não precisa de promessas — precisa de protagonismo. E é justamente isso que a universidade, em parceria com o setor produtivo, está pronta para oferecer: um futuro sustentável, circular e socialmente justo.
(*) Follow Up é publicada às quartas, quintas e sextas feiras no Jornal do Comércio do Amazonas, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes