Integração da Indústria de Defesa e da Indústria da Floresta no Defense & Security Tech Day

“Eventos como o “Seminário Defense & Security Tech Day”, porém, catalisam esse processo, conectando empresas, instituições e governo em um esforço conjunto para promover a inovação e o desenvolvimento sustentável. A cooperação estratégica entre esses atores é parte valiosa para garantir a soberania nacional e posicionar a região como líder em tecnologia de defesa no cenário global”.

Por Alfredo Lopes
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Coluna Follow-Up

A diversificação da matriz econômica do Amazonas, especialmente no contexto da Zona Franca de Manaus (ZFM), tem se tornado uma prioridade estratégica. Esse esforço visa alcançar o desenvolvimento sustentável e assegurar a soberania nacional sobre a Amazônia. O setor de defesa surge como uma alternativa promissora, alinhando-se aos objetivos de inovação tecnológica e crescimento econômico da região. A integração da Indústria de Defesa e da Indústria da Floresta apresenta diversas oportunidades e desafios para a ZFM, especialmente à luz de eventos e iniciativas recentes que catalisam essa transformação.

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Academia, Ecologia e Economia

Nos dias 9 e 10 de julho de 2024, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), está organizando o “Seminário Defense & Security Tech Day”. Este evento, realizado na Escola Superior de Tecnologia (EST), no auditório da Samsung Ocean Manaus, foi pensado como o objetivo principal de apresentar as oportunidades de negócios no setor de defesa – a partir do Polo Industrial de Manaus – para as empresas locais e de outras praças, promovendo a diversificação econômica com o concurso da Base Industrial de Defesa do Brasil (BID).

O Brasil reconhece a importância da participação da indústria e de suas empresas representadas pelo Centro e Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, na promoção da inovação e competitividade. Com o apoio do Comando Militar da Amazônia (CMA), o evento sugere uma plataforma para empresas e instituições conhecerem as demandas tecnológicas e explorarem parcerias estratégicas.

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Presidente-Executivo do CIEAM, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, o Comandante do CMA, General Costa Neves e o Presidente do Conselho Superior do CIEAM, Luiz Augusto Rocha.

Nova Indústria Brasil (NIB)

A política industrial brasileira, expressa no documento “Nova Indústria Brasil” (NIB), já em movimento, tem como uma de suas principais missões para a Amazônia a diversificação da economia através da inclusão de setores estratégicos tanto na bioeconomia e mineração como na Indústria de Defesa. A inserção da ZFM na NIB reforça a importância de setores de alta tecnologia, como defesa, comunicação, sensoriamento, transição energética e veículos autônomos. Estes nichos são pilares quando o assunto é reforçar a segurança nacional, mas também carregam o potencial de desenvolvimento de tecnologias avançadas que podem ser transferidas para outros setores industriais – como mostra a grande parte da história do capitalismo.

Parcerias Estratégicas e Inovação

Durante o seminário, diversas apresentações iniciaram com abordagem de proposições com a integração entre a indústria local e as necessidades estratégicas das Forças Armadas do Brasil. O portfólio de necessidades de produtos de defesa foi destacado, assim como o papel da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) na promoção da BID. Empresas como a BDS, pioneira no setor têxtil, exemplificaram o potencial da região para fornecer produtos estratégicos de defesa, simbolizando a evolução tecnológica e a capacidade produtiva local.

A participação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) como instituição de ensino, pesquisa e extensão foi amplamente reconhecida. A UEA, custeada pela indústria da ZFM, pode se tornar um ambiente ideal para, em cooperação com demais órgãos, fortalecer o Sistema de Defesa, Indústria e Academia. Esta colaboração, que inclui a UFAM e outras instituições de pesquisa cria um ambiente de inovação que beneficia os brasileiros no âmbito regional e nacional.

Integração da Indústria de Defesa e da Indústria da Floresta no Defense & Security Tech Day

Integração da indústria de Defesa e Economia Florestal

A integração da Indústria de Defesa e da Economia Florestal na matriz econômica do Amazonas pode trazer um novo capitulo em busca da diversificação econômica e produtiva. A Indústria Florestal, com foco em produtos sustentáveis e de alta tecnologia, complementa os esforços da Indústria de Defesa ao promover o uso sustentável dos recursos naturais da Amazônia. Esta sinergia entre defesa e economia florestal potencializa o desenvolvimento de tecnologias inovadoras, ao mesmo tempo que garante a proteção e a sustentabilidade da floresta amazônica.

Desafios e Oportunidades

A diversificação da base industrial do Polo Industrial de Manaus (PIM), tradicionalmente focada em eletrônicos, duas rodas – dois dos polos que se destacam no PIM -, é um passo necessário para enfrentar os atuais e futuros desafios econômicos do país. A indústria de defesa, com sua orientação para áreas críticas e alta tecnologia, oferece uma nova fronteira de crescimento e inovação. E há muitos olhares interessados por essas oportunidades. A colaboração entre o governo, as indústrias e as instituições acadêmicas, como o Instituto Militar do Exército e o Instituto Tecnológico da Aeronáutica, diversificam o ambiente de inovação já consolidado no Amazonas pelo topo do ranking nacional em intensidade tecnológica 

Para facilitar o acesso ao mercado global, iniciativas como o Sistema de Apoio Oficial à Exportação são essenciais. Além disso, reformas em propriedade intelectual e regulamentações terão de ser feitas para sustentar o crescimento das cadeias produtivas de defesa. A cooperação estratégica entre os setores proporcionaria um salto de qualidade no impulsionamento de uma nova fase de crescimento e inovação.

Integrar, não entregar e assumir a Amazônia 

Esse esforço conjunto garante que a região não apenas atenda às demandas nacionais de defesa, mas também se posicione como líder em tecnologia de defesa no cenário global. Para alcançar esses objetivos, busquemos a promoção de parcerias internacionais e o desenvolvimento de novas tecnologias em áreas estratégicas. Assegurando que a Amazônia contribua significativamente para a segurança e o desenvolvimento tecnológico do Brasil, independente e convergente a um novo polo de economia verde.

A integração da Indústria de Defesa e da Indústria da Floresta representada pelo PIM na matriz econômica do Amazonas representa uma oportunidade única para a diversificação e fortalecimento da Zona Franca de Manaus. Os recursos do Fundo de Sustentabilidade para a Bioeconomia é um caminho já sugerido e incorporado. De certa forma, os novos eventos atualizam a narrativa original usada nos anos 60 para analisar as oportunidades da ZFM.

Eventos como o “Seminário Defense & Security Tech Day”, porém, catalisam esse processo, conectando empresas, instituições e governo em um esforço conjunto para promover a inovação e o desenvolvimento sustentável.

Para assistir na íntegra o evento, acesse:

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Coluna Follow-up é publicada às quartas, quintas e sextas feiras no Jornal do Comércio do Amazonas, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor do portal BrasilAmazoniaAgora
Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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