Incêndios na Amazônia se intensificam com El Niño, alerta NASA 

Satélites detectam avanço do fogo entre Manaus, Santarém e a foz do Amazonas, pesquisadora da Embrapa defende reforçar a prevenção para conter os incêndios na Amazônia durante o período seco.

A redução das chuvas associada ao El Niño aumenta a vulnerabilidade da floresta ao fogo e pode prolongar a temporada de incêndios na Amazônia. Em alerta divulgado em 15 de outubro, a NASA informou que satélites identificaram, desde setembro, uma intensificação das chamas e das emissões de fumaça nas porções central e oriental do bioma. A área afetada se estende dos arredores de Manaus e Santarém até a foz do rio Amazonas.

O período menos chuvoso, conhecido como verão amazônico, reúne condições que favorecem a propagação do fogo: calor intenso, queda da umidade e redução dos níveis dos rios. Com o agravamento da seca, a vegetação perde parte da proteção natural oferecida pela umidade.

Isso não significa que o El Niño provoque diretamente as ignições. Segundo a NASA, a grande maioria dos incêndios na região começa por ação humana. Queimas usadas no manejo de áreas agrícolas e pastagens podem escapar do controle e alcançar a floresta ressecada.

Alteração das chuvas favorece avanço do fogo

Douglas Morton, cientista do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, relaciona os incêndios na Amazônia central e oriental a uma sequência de episódios nos trópicos, acompanhando as mudanças no regime de chuvas provocadas pelo El Niño.

O padrão começa com seca e fogo em turfeiras da Indonésia e avança para a floresta amazônica. Descrito em um estudo publicado em 2017, após o El Niño de 2015–2016, o processo também foi observado em 2023.

Comparação com 2024 ajuda a dimensionar cenário

A pesquisadora da Embrapa Joice Ferreira, coordenadora do Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia (Capoeira), explica que anos mais secos tendem a registrar mais incêndios na Amazônia. Em entrevista ao Amazônia Vox, ela destacou que a combinação de temperaturas elevadas, menor umidade e áreas anteriormente abertas torna a floresta mais suscetível ao fogo.

Apesar da preocupação, os registros de 2026 permanecem muito abaixo dos observados em 2024, quando uma seca extrema atingiu a região, embora superem os de 2025. Para a pesquisadora, essa comparação é necessária para contextualizar as imagens de fumaça e os dados recentes, sem minimizar o risco de agravamento.

Diante da previsão de condições mais secas, Joice defende a continuidade das ações de prevenção e combate. “Temos que continuar com as medidas para evitar que os incêndios aumentem, porque se espera que, em um ano seco, eles aumentem”, alertou.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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