A seca na Amazônia reduz os níveis do Madeira e do Tapajós e compromete rotas de abastecimento, enquanto a perda de água no Pantanal favorece a propagação de incêndios.
A seca na Amazônia acende um alerta para o transporte de mercadorias e o abastecimento de comunidades ribeirinhas. O avanço da estiagem também ameaça o Pantanal e pode favorecer incêndios, segundo avaliação do analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, ao CNN Novo Dia.
O Rio Madeira terminou setembro abaixo do nível de referência. No Tapajós, a profundidade próxima de três metros também está inferior ao normal. A perspectiva, de acordo com o analista, é de novas reduções nos próximos meses, com dificuldades crescentes para a navegação. Embora a situação ainda não tenha alcançado a gravidade da seca de 2024, Côrtes aponta uma tendência de deterioração das condições dos rios.
Menos água, maior risco de fogo
Os efeitos da estiagem se estendem ao Centro-Oeste. No Pantanal, a redução da superfície coberta por água ao longo das últimas décadas aumenta a vulnerabilidade ao fogo. Segundo Côrtes, o bioma vem perdendo áreas alagadas desde os anos 1980.
A escassez hídrica também resseca a vegetação do Cerrado e das áreas de transição com a Amazônia, criando condições para a disseminação das chamas. Ao mesmo tempo, a menor disponibilidade de água dificulta o trabalho das equipes de combate.
“Essa falta de água vai fazendo com que o Cerrado e a interface entre o Cerrado e o bioma amazônico vão secando, favorecendo a propagação de focos de incêndio e dificultando o combate a esses focos, inclusive pela falta de água”, explicou o analista.
El Niño pode intensificar estiagem
Na avaliação de Côrtes, o fortalecimento do El Niño deve agravar a seca na Amazônia e no Centro-Oeste. O analista aponta dezembro e janeiro como o período previsto para o pico do fenômeno.
Segundo a projeção apresentada por ele, a temperatura do Pacífico poderá ficar 3,7°C acima da média, superando o episódio de 2016 e atingindo o maior desvio desde a década de 1950. Esse cenário amplia a preocupação com a continuidade do transporte fluvial e com a propagação de incêndios nos próximos meses.