Presença militar dos EUA na Amazônia envolve agenda em instalações peruanas e negociação de ações contra redes criminosas em país que também faz fronteira com o Brasil.
A presença militar dos EUA na Amazônia foi tema da visita do comandante do Comando Sul americano, general Francis L. Donovan, ao Peru, entre 13 e 15 de outubro. A agenda discutiu o compartilhamento de inteligência, a segurança das fronteiras e ações contra organizações criminosas.
O Comando Sul é o comando militar dos Estados Unidos responsável por operações e cooperação em defesa na América Central, na América do Sul e em parte do Caribe. Durante a visita ao Peru, país que compartilha uma extensa fronteira amazônica com o Brasil, Donovan percorreu instalações militares próximas à fronteira com a Colômbia e participou de reuniões em Iquitos, na região de Loreto.
Esta foi a primeira viagem do general ao país à frente do Comando Sul. Ele se reuniu com o ministro da Defesa, Rafael Belaúnde Llosa, o chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, general César Augusto Briceño Valdivia, e o embaixador americano, Bernie Navarro.
Inteligência e mineração ilegal
As discussões em Iquitos incluíram o enfrentamento da mineração ilegal e do crime organizado transnacional, além da troca de experiências sobre inteligência e exercícios militares bilaterais. Segundo Belaúnde, a parceria poderá fornecer informações para combater homicídios, extorsão e tráfico de pessoas.
Durante a agenda que marcou a presença militar dos EUA na Amazônia, a comitiva viajou em uma aeronave americana V-22 Osprey até El Estrecho, na fronteira com a Colômbia. As autoridades também visitaram o Comando Unificado do Putumayo e Mariscal Castilla, no quartel Alfredo Vargas Guerra, em Iquitos. As negociações abordaram ainda a cooperação contra redes criminosas no vale dos rios Apurímac, Ene e Mantaro, conhecido como Vraem.
Coalizão regional e soberania
A presença militar dos EUA na Amazônia ocorre em meio à articulação da Coalizão das Américas contra os Cartéis, identificada pela sigla A3C. Segundo o Comando Sul, o grupo reúne o Peru e outras 18 nações da região.
A iniciativa prevê compartilhamento de inteligência para orientar operações, proteção de infraestrutura crítica e interrupção das linhas de abastecimento das organizações criminosas. A embaixada americana apresentou a viagem como parte da atuação coordenada contra cartéis e o que classifica como narcoterrorismo.
Em 10 de setembro, o Peru formalizou sua adesão ao Escudo das Américas, mecanismo vinculado à A3C que prevê capacitação, cooperação militar e reforço da segurança fronteiriça. Em declaração divulgada pela embaixada, Donovan afirmou que as iniciativas bilaterais respeitam a autoridade constitucional e a soberania peruana.
O general também destacou o compromisso dos dois países com a proteção de seus cidadãos e a segurança regional. A cooperação entre Estados Unidos e Peru não anunciou o envio de tropas estadunidenses ao Brasil nem uma operação específica em território brasileiro.