Início do fim dos combustíveis fósseis? Especialista indica foco para a COP30

Espera-se que a COP30 seja um ambiente para estruturar planos concretos de acabar com a exploração e uso de combustíveis fósseis em todo o planeta, reduzindo emissões de gases do efeito estufa

Há uma série de tópicos de interesse global em pauta para a COP30 em Belém, que acontecerá em novembro. Mas, na visão de Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP, todos os debates só reforçam que a principal prioridade da COP30 é a redução das emissões de gases do efeito estufa. Para ele, combater o desmatamento será essencial nesse processo.

Artaxo participou do evento inaugural do projeto COP30 Amazônia — uma iniciativa dos jornais O Globo, Valor Econômico e da rádio CBN — que tem como objetivo antecipar os debates mais importantes da conferência climática. “A gente espera que a COP 30 seja, efetivamente, a COP da virada, onde a gente possa estruturar planos concretos de acabar com a exploração e uso de combustíveis fósseis em todo o planeta e, com isso, poder construir uma sociedade que seja minimamente sustentável”, declara o professor.

Em 2022, a queima de combustíveis fósseis e os processos industriais globais foram responsáveis por aproximadamente 90% das emissões de dióxido de carbono

Espera-se que a COP30 seja um ambiente para estruturar planos concretos de acabar com a exploração e uso de combustíveis fósseis em todo o planeta, reduzindo emissões de gases do efeito estufa
Em 2022, a queima de combustíveis fósseis e os processos industriais globais foram responsáveis por aproximadamente 90% das emissões de dióxido de carbono, um dos gases do efeito estufa | Foto: wirestock/Freepik

O governador do Pará, Helder Barbalho, também esteve presente no evento e criticou as ações do ex-presidente Donald Trump e do governo dos EUA que se afastaram do Acordo de Paris, deixando de apoiar pautas ambientais. Segundo ele, é fundamental observar com atenção os próximos passos do setor privado. Barbalho destacou ainda a importância das políticas públicas como ferramentas de incentivo e manifestou preocupação com a ausência de diretrizes governamentais claras para impulsionar ações sustentáveis.

“O que nós temos que ficar preocupados é qual a ferramenta de indução governamental. Políticas indutoras, porque aí me preocupa. Por exemplo, o ruído de que bancos americanos não irão mais financiar agenda de sustentabilidade. Aí é um sinal de alerta. De que companhias privadas americanas não estarão mais comprometidas com a agenda de transição energética, de financiamento de novas matrizes energéticas. Aí é um alerta”, conclui Barbalho.

Posse de Trump ameaça normas ambientais nos EUA e Acordo de Paris
Posse de Trump ameaça normas ambientais nos EUA e Acordo de Paris | Foto de Nathan Boomhower/Pexels
Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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