Governo inicia operação para retirada de garimpeiros da Terra Indígena Kayapó

Apesar da duração estimada de três meses, lideranças indígenas já expressaram o desejo de que a ação se torne permanente, dada a recorrência e a gravidade das invasões por garimpeiros, grileiros e madeireiros

No início de maio, o Governo Federal deu início à desintrusão da Terra Indígena Kayapó, localizada no sudeste do Pará — uma das regiões mais afetadas pela devastação provocada pelo garimpo ilegal no Brasil. A operação é conduzida com apoio de forças federais, como Polícia Federal e Forças Armadas, e tem previsão de durar três meses. Contudo, lideranças indígenas já expressaram o desejo de que a ação se torne permanente, dada a recorrência e a gravidade das invasões por garimpeiros, grileiros e madeireiros.

A desinstrusão, segundo definição do Governo Federal, consiste na retirada de intrusos. Ou seja: a retirada de pessoas que estão ocupando uma área de forma ilegal. No caso de terras indígenas, é uma medida que promove a retirada de ocupantes não indígenas dessas áreas. O objetivo é retomar o controle territorial, proteger os modos de vida indígenas e restaurar a integridade ambiental da Terra Indígena Kayapó.

Ação ilegal de garimpeiros na Terra Indigena Kayapó.
Ação ilegal de garimpeiros na Terra Indigena Kayapó (© Marizilda Cruppe / Greenpeace)

As terras Kayapó são hoje uma das mais pressionadas do Brasil. Com cerca de 3,2 milhões de hectares, ela abriga mais de 6 mil pessoas, pertencentes aos povos Mebengôkre e aos Isolados do Rio Fresco. Em 2024, esse território foi o mais atingido por incêndios florestais entre todas as terras indígenas do país, registrando mais de 3,2 mil focos de calor entre janeiro e setembro. Imagens de satélite confirmam que as chamas estão fortemente associadas ao avanço do garimpo ilegal, que utiliza o fogo para abrir novas frentes de exploração e consolidar a ocupação ilegal da terra.

A presença dos garimpeiros não causa apenas devastação ambiental, mas também alimenta uma ampla rede de crimes e violações de direitos humanos. Entre os impactos diretos estão a violência armada, o tráfico de drogas, a exploração sexual, o trabalho análogo à escravidão, a contaminação dos rios com mercúrio e desestruturação da vida comunitária tradicional.

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TI Kayapó / Foto: Felipe Werneck/Ibama (2020)

“A desintrusão da Terra Indígena Kayapó é um avanço importante no combate ao garimpo ilegal. Mas ainda estamos no início dessa caminhada e as autoridades precisam contar com a participação ativa das lideranças indígenas durante todo o processo. Essa é uma das demandas centrais da nossa petição Amazônia Livre de Garimpo, que já mobilizou mais de 215 mil pessoas nesse mesmo pedido. É necessário um compromisso político duradouro para proteger os povos indígenas e a floresta, com ações estruturais e permanentes contra o garimpo ilegal”, destaca Grégor Daflon, porta-voz da Frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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