“A serviço de quem prospera o fiscalismo oportunista e agourento que se alegra na maledicência contra a indústria da floresta?”
Coluna Follow-Up
Mais uma vez, a pena fiscalista se apressa em acusar a Zona Franca de Manaus (ZFM) de ser exemplo do que não deve ser feito em política industrial — ignorando décadas de evidências, dados oficiais e resultados sociais e ambientais concretos. Trata-se de uma visão estreita, que insiste em tratar investimentos de política regional como se fossem renúncias fiscais improdutivas, desconsiderando que o Polo Industrial de Manaus financia parte expressiva da máquina pública, da educação e da ciência da Amazônia.
Fatos e dados — não narrativas
A ZFM não custa ao Brasil: ela retém no país a floresta em pé, gera mais de meio milhão de empregos diretos, indiretos e induzidos e responde por 35,3% da arrecadação tributária da Região Norte.
Enquanto o modelo concentra menos de 1,4% dos incentivos nacionais, o retorno social e ambiental é desproporcional: taxa de desmatamento inferior a 0,5% ao ano, segundo MapBiomas e SEMA-AM — um dos menores índices do país.
A indústria instalada em Manaus produz com responsabilidade, distribui com justiça e inova com propósito, sustentando uma das maiores cadeias de formalização e produtividade do país, com tempo médio de emprego 25% superior à média nacional. São dados oficiais do IBGE e do Observatório ESG do CIEAM — não discursos.
O equívoco de tratar desenvolvimento como gasto
Ao contrário do que afirma o artigo, a Zona Franca de Manaus não é uma distorção, mas a maior inovação de política industrial regional do hemisfério Sul.
Ela canaliza investimentos privados e públicos para uma região que representa um terço do território nacional, mas que sempre esteve excluída das infraestruturas logísticas e tecnológicas do país.
Chamar isso de “fracasso” é um insulto à inteligência econômica e ambiental.
Como lembra o Manifesto da Indústria da Amazônia para a COP 30, os incentivos não são subsídios; são condições estruturais para garantir neutralidade de carbono, inclusão social e diversificação produtiva em um território onde a floresta é, literalmente, o chão da economia.

Uma indústria que protege, não destrói
A ZFM é o maior laboratório de economia verde em escala tropical.
Empresas instaladas no Polo investem em logística reversa, bioeconomia, economia circular e inovação tecnológica com rastreabilidade e metas de carbono neutro até 2035.
Nenhum outro modelo no Brasil conseguiu conciliar produção industrial com preservação de 97% da cobertura vegetal original de um estado inteiro.
Trata-se, portanto, de um pacto climático com raízes amazônicas — uma engenharia da credibilidade que o Brasil deveria defender, não atacar.
O verdadeiro desperdício
O desperdício não está na ZFM, mas na falta de compreensão do papel estratégico da Amazônia no equilíbrio climático do planeta.
Enquanto bilhões são desviados em subsídios de curto prazo e programas sem transparência, o Polo Industrial de Manaus gera riqueza limpa, mantém o carbono estocado (entre 57 e 120 gigatoneladas de CO₂ equivalente) e sustenta os rios voadores que garantem as safras e hidrelétricas do Centro-Sul.
Ignorar isso é o verdadeiro crime econômico.
Desenvolver sem destruir, empregar sem desmatar
A Zona Franca de Manaus não é o que sobra da política industrial brasileira — é o que ainda dá certo.
Enquanto Brasília insiste em discutir números sem ver florestas, a Amazônia industrializada mostra que é possível desenvolver sem destruir, empregar sem desmatar e crescer sem colapsar o planeta.
A economia da floresta em pé é o Brasil que o Brasil ainda precisa conhecer.
A Coluna Follow-Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas, às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor geral do portal BrasilAmazôniaAgora
