Estudo revela: Quase 100 cidades costeiras ao redor do mundo estão “afundando”

Enquanto as mudanças climáticas apontam há décadas para a elevação do nível dos oceanos, um novo estudo utilizou imagens de satélite para descobrir um risco iminente de cidades litorâneas afundarem devido a fatores naturais e humanos.

Cerca de 200 milhões de pessoas ao redor do mundo podem ser obrigadas a abandonar suas residências situadas em áreas costeiras. Esta previsão alarmante provém de uma análise realizada pela Universidade de Rhode Island. A pesquisa, que englobou 99 localidades, revelou que a maioria desses lugares está submergindo a um ritmo mais acelerado do que a elevação do nível do mar. Dentre esses, 34 locais estão afundando a uma taxa superior a um centímetro anualmente, e quatro deles estão descendo até cinco centímetros por ano. Bangladesh, China, Filipinas e Paquistão são os países mais impactados por esta situação crítica.

Confira o estudo científico, em inglês, clicando aqui

grl63963 fig 0001 m

O estudo baseou-se em imagens de satélite obtidas dos seis continentes, no período de 2015 a 2020, constatando que cada continente possuía pelo menos uma cidade enfrentando a subsidência. A equipe usou sinais de micro-ondas emitidos pelos satélites para medir com exatidão milimétrica a elevação do solo e monitorar as mudanças ao longo do tempo, conforme reportado pela Science News.

“Muitas cidades estão se planejando para a subida do nível do mar, mas não estão conscientes do efeito agravado da subsidência costeira”, declarou Matt Wei, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island e coautor do estudo, publicado na revista Geophysical Research Letters.

Estudo revela: Quase 100 cidades costeiras ao redor do mundo estão "afundando"
Yantai, Shandong, China – foto: Willem Chan/Unsplash

Causas e soluções potenciais

De acordo com os cientistas, a principal causa do afundamento em cidades como Chittagong (Bangladesh), Tianjin (China), Manila (Filipinas) e Karachi (Paquistão) é a extração excessiva de água subterrânea. Outras regiões estão enfrentando problemas similares devido a diferentes atividades humanas, incluindo mineração, construção e extração de combustíveis fósseis.

Apesar dos desafios, existe otimismo em relação à recuperação de algumas dessas cidades. Na Califórnia, Estados Unidos, uma rápida subsidência foi revertida graças a alterações na gestão de águas subterrâneas há aproximadamente 60 anos. Em Jacarta, Indonésia, o ritmo de afundamento diminuiu significativamente nos últimos 20 anos, de 28 centímetros anualmente para 2,5 cm.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

UM NOVO TEMPO PARA AS RESPONSABILIDADES PÚBLICAS

A nova configuração institucional proporcionada pela Lei Orgânica cria...

“O futuro do Amazonas está no interior”, afirma Marcelo Pereira ao projetar o pós-Reforma Tributária

Na primeira parte desta entrevista, “Podemos ser engolidos, Marcelo Pereira apresentou um...

Pesquisa questiona capacidade das florestas de armazenar carbono no futuro 

Estudo mostra que florestas podem armazenar carbono abaixo do previsto, mesmo quando árvores seguem absorvendo CO₂ pela fotossíntese.

Nova tecnologia converte luz solar, água e CO₂ em combustível de forma autônoma

Fotossíntese artificial avança com dispositivo sem bateria que transforma luz solar, água e CO₂ em combustível solar.

Desmatamento na Amazônia cai 61,4% e atinge marca histórica

Desmatamento na Amazônia cai 61,4% em maio, aponta Inpe, em queda histórica no início da estação seca.