El Niño no Brasil: Governo federal exige planos de prevenção dos estados em 30 dias 

Medida cobra preparação de estados e municípios para reduzir danos do El Niño no Brasil, incluindo incêndios, danos a lavouras e aumento de contas de luz.

O governo federal deu prazo de 30 dias para que estados, Distrito Federal e municípios informem suas prioridades e estratégias de enfrentamento aos efeitos do El Niño no Brasil. A medida tem foco especial na prevenção e no combate a incêndios florestais.

A determinação foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (8) e segue recomendação do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo. O objetivo é reforçar a preparação do país para evitar a repetição do cenário de 2024, quando o Brasil registrou recorde histórico de queimadas durante a atuação do fenômeno climático.

Estados e DF também deverão aprovar planos de manejo integrado do fogo e regulamentar medidas de prevenção em imóveis rurais, considerando as características de cada região. Os municípios devem apresentar ações dentro de suas competências legais.

A preocupação ocorre em meio à expectativa de intensificação do El Niño no Brasil neste semestre, período em que grande parte do território enfrenta condições mais secas. Além de elevar o risco de incêndios, o fenômeno pode afetar a produção agrícola, pressionar preços de alimentos e aumentar custos em diferentes setores.

No varejo, a Associação Brasileira de Supermercados acompanha os possíveis reflexos do clima sobre a cadeia de abastecimento. Produtos como batata, tomate e cebola já registraram alta nos últimos meses e novas oscilações podem ocorrer caso eventos extremos prejudiquem lavouras.

O arroz é uma das culturas sob atenção. Cerca de 70% da produção nacional está concentrada no Rio Grande do Sul, estado vulnerável a eventos climáticos extremos. Também há risco de impacto nos preços internacionais, caso regiões produtoras da Ásia sejam afetadas.

Entre as commodities brasileiras, soja, milho, café e laranja estão entre as mais expostas. Especialistas da FGV estimam que um El Niño mais intenso pode provocar queda de 7% a 10% na produção dessas culturas.

A consultoria StoneX também alerta para aumento do risco climático no terceiro trimestre, com mudanças nos padrões de chuva e temperatura em regiões produtoras. O cenário exige maior atenção de agricultores, empresas e agentes do mercado.

Os efeitos do El Niño no Brasil podem chegar ainda à conta de luz. Com calor mais frequente, reservatórios pressionados pela seca e maior demanda por refrigeração, o país pode ampliar o uso de termelétricas movidas a combustíveis fósseis. Esse acionamento tende a encarecer a energia elétrica nos próximos meses.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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