Industrialização, floresta e colonialismo: o dilema amazônico no século XXI

Em nossa estrutura de país contemporâneo há, em uma boa medida, a necessidade de aumentar a produtividade. Precisamos transitar da economia agrária para uma economia industrial – e isso não seria nada mal. Também podemos seguir para uma economia dos serviços, com um potencial de ser ainda mais produtivos na geração de riquezas. Alcançar um desenvolvimento sonhado (ou utópico) onde o modelo do império surge sempre como alternativa a ser alcançada. Contudo, sempre nos ronda um problema de diagnóstico. 

O diagnóstico ajuda a prescrever as soluções e ele sempre será construído pela ideologia de quem o faz, afinal nada será isento de ideologias. Para o ponto proposto pelo título do texto, onde fica então o Colonialismo da Amazônia? Se olharmos os três Estados brasileiro com mais indústrias em relação ao seu PIB, ou seja, quanto vale a indústria de transformação frente ao PIB: o Amazonas possui 33% de seu PIB com origem na indústria de transformação, sendo o estado mais industrial do país, seguido por Santa Catarina, com 23% e pelo Rio Grande do Sul, com 21%, segundo dados compilados recentemente pelo Professor Dr. André Ricardo Reis Costa, da UFAM. 

Não olhamos normalmente para o Amazonas como uma possibilidade ou como uma potência industrial, mesmo que seja. Quando falamos do Amazonas, pensamos na floresta e no potencial da sua biodiversidade. Mas, será que falamos do potencial da natureza como agricultura? Queremos transformar a Amazônia num fazendão para voltar ao ideal colonial? Ou desejamos adicionar tecnologia para transitar para um modelo agroindustrial? Ou será que queremos transitar para um modelo de alta tecnologia para empresas de base tecnológica que farão uso da natureza com muita ciência e adição de valores para o mundo? 

dilema amazonico

Toda vez que se ataca o modelo industrial de Manaus é um ataque para devolver a um estado mais primitivo de atividade econômica. É uma cabeça de colônia ou de império, querendo retroceder o estágio de desenvolvimento. Precisamos enfrentar a questão da dimensão do debate sobre a Amazônia. Quando se fala em fazer concessão do rio para a iniciativa privada: é para ajudar a região ou é para encontrar um novo meio de explorar a região por meio da potência da natureza? São perguntas inconvenientes que precisamos começar a enfrentar, para que não percamos a grande oportunidade histórica que estamos construindo, na superação da condição de colônia.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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