Dia Mundial da Bicicleta: como esse meio de transporte pode ser aliado do meio ambiente

O Dia Mundial da Bicicleta foi criado em 2018 como forma de promover essa mobilidade ativa e sustentável, mais barata e não poluente

Trocar métodos de transporte convencionais, como carros e motos, por bicicletas, tem se tornado uma escolha cada vez mais cogitada pelos brasileiros. Uma pesquisa recente da Descarbonize Soluções, energytech especializada em energia limpa, revela que 49% dos brasileiros estariam dispostos a substituir seus veículos por bicicletas elétricas. As motivações principais incluem economia financeira (15%) e redução do impacto ambiental (14%).

A notícia é boa para o meio ambiente. Um estudo recente realizado pela Aliança Bike e pelo Laboratório de Mobilidade Sustentável da UFRJ revelou que cada indivíduo que opta pela bicicleta em detrimento do carro contribui para a redução da emissão de 4,4 kg de dióxido de carbono (CO₂) por ano.

O Dia Mundial da Bicicleta, celebrado hoje (03), coloca essa forma de mobilidade ativa e sustentável em pauta. A data foi escolhida em 2018 pela ONU (Organização das Nações Unidas) justamente para promover esse meio de transporte simples, barato e não poluente, que pode ajudar a reduzir a queima de combustíveis fósseis e, consequentemente, as emissões de CO2 na atmosfera, um dos principais causadores do aquecimento global.

Dia Mundial da Bicicleta: como esse meio de transporte pode transformar as cidades e o meio ambiente.
Dia Mundial da Bicicleta: como esse meio de transporte pode transformar as cidades e o meio ambiente | Foto: Jan Kopřiva/Pexels

Crescimento das bicicletas elétricas

Na Zona Franca de Manaus, a produção de bicicletas tem números significativos, especialmente os modelos elétricos. De acordo com o relatório “Dados do Setor de Duas Rodas 2025”, elaborado pela ABRACICLO, o setor de duas rodas na ZFM consolidou sua relevância econômica em 2024 ao atingir um faturamento de R$ 36 bilhões, o que representa 17,8% do total de faturamento do Polo Industrial de Manaus.

A produção de bicicletas totalizou 351.400 unidades e houve 89% de aumento na produção de bikes elétricas. “Nos países europeus, a venda de bicicleta elétrica representa 50% de toda a produção. Mas, no Brasil, é apenas o começo dessa jornada”, afirma ao BNC Amazonas o vice-presidente da Abraciclo para o setor de bicicletas.

Apesar de menos acessíveis e mais pesadas do que bicicletas convencionais, o que pode dificultar o transporte por lances de escada em apartamentos e o carregamento no bicicletário de um veículo, as bicicletas elétricas suportam muito mais peso e poupam sufoco na hora de subidas e ladeiras, por exemplo. Como destaca uma matéria do portal National Geographic, elas permitem que as pessoas se desloquem de um lugar para outro usando apenas uma pequena fração da energia de um carro motorizado e com uma pegada de carbono minúscula.

Mobilidade e bioeconomia

Já imaginou um pedal de bicicleta feito de açaí? Inovações como essa já são possíveis na produção de bicicletas, tanto elétricas quanto convencionias, graças ao uso de bioplástico e aproveitamento de resíduos florestais. Nesse caso, um grupo de pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a fabricante de bicicletas OX da Amazônia, sediada em Manaus (AM), se uniram com o objetivo de aproveitar o caroço do açaí para produzir um bioplástico resistente usado na fabricação de pedais.

Esse material hoje é descartado em grande quantidade como resíduo das agroindústrias que fornecem ingredientes à fabricação de refrigerantes consumidos em todo o país.

A marca Oggi, pertencente a empresa OX com fábrica na Zona Franca de Manaus, investiu em parceria com o Idesam para o desenvolvimento de um pedal feito a partir dos caroços do açaí.
A marca Oggi, pertencente a empresa OX com fábrica na Zona Franca de Manaus, investiu em parceria com o Idesam para o desenvolvimento de um pedal feito a partir dos caroços do açaí | Foto: Reprodução

O investimento inicial na tecnologia do bioplástico de açaí, estimado em R$ 1,1 milhão, se viabilizou por meio de recursos obrigatórios de pesquisa e desenvolvimento (P&D) alocados pela empresa por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), política pública da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e gerenciado pelo Idesam, que apoia inovações nascentes com recursos de contrapartida pela isenção fiscal.

A expectativa é de uso futuro do material também em capacetes e outros componentes. “Olhamos para a bioeconomia dos resíduos da floresta como forma de reduzir o principal componente do lixo no Polo Industrial de Manaus”, afirma o químico Genilson Santana, à frente da startup AGflech, responsável pela inovação.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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