Deputados promovem tratoraço no modo liberou-geral de licença ambiental

De saída, o novo texto esvazia, literalmente, os compromissos de Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima, em abril último. Dizia o presidente numa reunião digital durante a qual o anfitrião se afastou. “Destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data”.

Se já era complicada a relação entre desenvolvimento e meio ambiente – o embaraço debatido pelos país desde os anos 70 – agora a depredação da Amazônia tem jurisprudência assegurada. Quem quiser fazer pasto da floresta vai poder até asfaltar sem ninguém atrapalhar. Este foi o saldo na queda de braço entre governo e oposição na Câmara dos Deputados que a base do governo promoveu, nesta quarta-feira, 12/5 . Foi uma verdadeira tratorada sobre o meio ambiente no Brasil e um golpe de misericórdia na veracidade das posições do Brasil na Cúpula do Clima, patrocinada em abril por Joe Biden..

Cada um por si…

A toque de caixa e acompanhado de normas regulamentais que agilizam aprovações de iniciativas bem pontuais – e redução acentuada do espaço para o debate – foi aprovado o texto substitutivo do projeto de lei 3.729/2004, que flexibiliza o processo de licenciamento ambiental, apresentado na semana passada pelo relator da matéria, deputado Neri Geller (MT). De nada adiantou a pressão de especialistas, ex-ministros do Meio Ambiente e segmentos significativos da sociedade. A proposta enfraquece decisivamente o marco legal do licenciamento no país, isentando diversas atividades com potencial de dano ambiental e permitindo o “autolicenciamento” por parte dos próprios responsáveis pelos empreendimentos. Nada será como antes. Sem debates nem espaço de consenso, o atropelo trará consequências imprevisíveis.

O presidente da Republica Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles participam da solenidade de lancamento do Programa Lixao Zero. Foto Valter Campanato Agencia Brasil.
O presidente da República, Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participam da solenidade de lançamento do Programa Lixão Zero. Foto: Valter Campanato Agência Brasil.

…e pela Natureza, quase ninguém

De saída, o novo texto esvazia, literalmente, os compromissos de Jair Bolsonaro na Cúpula do Clima, em abril último. Dizia o presidente numa reunião digital durante a qual o anfitrião se afastou. “Destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data”.

Cadê a grana do Biden?

Em contrapartida, fica mais difícil insistir no pagamento das ajudas solicitadas. “Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa. Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do Governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados a ações de fiscalização”. Até o momento, seu ministro Ricardo Salles e sua base política fizeram exatamente o oposto. Para isso, contou com um orçamento paralelo que permitiu compras de tratores por empresários ligados ao grupo político do Planalto.

Bolsonaro Arthur Lira Rodrigo Pacheco Foto Luis Macedo Camara dos Deputados
O Presidente Jair Bolsonaro, sem máscara, o Presidente da Câmara, Arthur Lira e o do Senado Federal, Rodrigo Pacheco – Foto: Luís Macedo/Câmara dos Deputados

É dando que se recebe

O presidente da Câmara, Arthur Lira, foi um dos cérebros que produziu a operação e garantiu, com medidas legais, aceleração da tramitação de textos semelhantes de interesse dos segmentos específicos. São Francisco, sem saber, promoveu a maior de todas as distorções de seu cristianismo ambiental, e foi entoado no silêncio da excitação que os novos empreendimentos vão permitir. Pois é dando que se recebe…

Com informações do ClimaInfo

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Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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