Da vazante à COP30: como o SuperTerminais transformou resiliência em protagonismo ambiental

Em 2024, quando a segunda grande vazante dos rios amazônicos interrompeu o fluxo logístico de Manaus, o SuperTerminais foi o primeiro a reagir, transferindo suas operações para Itacoatiara e garantindo o abastecimento da Zona Franca. Um ano depois, o mesmo espírito de adaptação e visão estratégica levou a empresa a outro tipo de travessia: representar a logística amazônica na Conferência das Partes das Nações Unidas — a COP30, em Belém.

À frente dessa jornada está Marcello di Gregorio, gestor da SuperTerminais, que fala sobre inovação, sustentabilidade e o papel da logística como novo eixo de soberania da Amazônia. Confira o bate-papo com Alfredo Lopes do BrasilAmazôniaAgora.

Coluna Follow-Up

Entrevista com Marcello Di Gregorio – Gestor da Super Terminais – Logística pioneira e estratégica da Amazônia

Marcello di Gregorio 1 1

A crise hídrica de 2024

Portal BrasilAmazôniaAgora – Em 2024, a Amazônia viveu a segunda vazante extrema de sua história recente, o que obrigou o Super Terminais a deslocar suas operações para Itacoatiara, onde a cota d’água ainda permitia o transbordo de mercadorias para a Zona Franca de Manaus. Que lições esse episódio deixou para a empresa e para a logística amazônica como um todo?

Marcello Di Gregorio: A vazante de 2024 foi um divisor de águas para toda a cadeia logística da Amazônia. Quando a navegação se tornou inviável em Manaus, nós tivemos que agir rapidamente para garantir a continuidade das operações e o abastecimento do Polo Industrial. O deslocamento temporário para Itacoatiara demonstrou a importância da inovação logística, do planejamento prévio e, principalmente, da estruturação de hidrovias em nossos rios.

Essa experiência nos ensinou que resiliência e flexibilidade operacional é uma questão de soberania econômica, e que a Amazônia precisa de uma infraestrutura adaptativa às mudanças climáticas que já são uma realidade. 

O papel estratégico da Super Terminais

Portal BrasilAmazôniaAgora – O Super Terminais responde por um percentual significativo da logística básica que abastece a Zona Franca de Manaus. Como o senhor avalia a responsabilidade de estar no centro de um ecossistema industrial que depende integralmente da eficiência logística para sobreviver e competir?

Marcello Di Gregorio: O Super Terminais é, antes de tudo, um porto da região amazônica consciente de seu papel no ecossistema industrial. Movimentamos um volume expressivo de insumos, componentes e produtos que abastecem a Zona Franca de Manaus, um dos maiores polos industriais da América Latina.

Em agosto deste ano, Manaus superou polos tradicionais como São Paulo (SP) e Itajaí (SC) no ranking nacional de importações, e, desse total, 52,95% dos contêineres chegaram pelo Super Terminais. Essa responsabilidade nos obriga a inovar continuamente, adotando práticas de eficiência energética, gestão ambiental e automação logística. Mais do que mover cargas, movemos o desenvolvimento sustentável da região.

Perfil ESG e reconhecimento internacional

Portal BrasilAmazôniaAgora – O Super Terminais foi a única empresa de logística da Amazônia convidada para a COP30, em Belém, justamente pelo seu perfil de governança e práticas socioambientais. Quais são esses investimentos diferenciados que garantiram esse reconhecimento e como a empresa pretende levar a pauta amazônica para o debate internacional?

Marcello Di Gregorio: Ser convidado para a COP30, em Belém, é o reconhecimento de uma trajetória construída com coerência. O ESG, para nós, não é uma sigla de marketing, e sim uma forma de guiar os nossos negócios. Implantamos políticas de gestão de resíduos sólidos, monitoramento das emissões de carbono e da qualidade da água no entorno do nosso porto, além das ações sociais do programa Porto & Comunidade. Na COP30, queremos levar o exemplo de que é possível conciliar qualidade nos serviços, sustentabilidade e inclusão social na logística amazônica.

Porto Manaus RIo Negro SuperTerminais

Logística como diferencial competitivo

Portal BrasilAmazôniaAgora – O livro CIEAM em Movimento destaca o Super Terminais como inspiração real para o cenário “Logística como ecossistema inteligente”, em que a infraestrutura deixa de ser gargalo e passa a ser diferencial estratégico. O senhor acredita que a Amazônia já caminha nessa direção? O que ainda falta?

Marcello Di Gregorio: Durante muito tempo, a logística foi vista como um gargalo da Amazônia. Hoje, embora ainda existam oportunidades de melhoria, com investimento privado, inovação tecnológica e integração entre modais, ela começa a se transformar para atender melhor às demandas do mercado.

O Super Terminais investe continuamente em modernização portuária e em sistemas inteligentes de gestão. Acreditamos que a logística da Amazônia pode ser um exemplo de engenharia adaptada à floresta: eficiente, sustentável e conectada ao mundo.

Conexão com o CIEAM e a indústria

Portal BrasilAmazôniaAgora – O alinhamento do Super Terminais com o CIEAM está no fortalecimento de uma infraestrutura industrial resiliente e competitiva. Como essa parceria tem se materializado e de que forma pode ser ampliada nos próximos anos?

Marcello Di Gregorio: O CIEAM tem sido um parceiro estratégico, especialmente na defesa de uma infraestrutura industrial moderna e resiliente. Compartilhamos o mesmo propósito: fazer da Amazônia um centro de excelência produtiva e ambiental. Essa convergência se traduz em cooperação técnica, em fóruns de infraestrutura e em propostas conjuntas para o governo federal. Nosso diálogo é permanente e sempre orientado para resultados.

A Amazônia no Plano Nacional de Logística

Portal BrasilAmazôniaAgora – O livro recomenda a inserção da logística amazônica no Plano Nacional de Logística como vetor de sustentabilidade e soberania regional. Que caminhos o senhor enxerga para que essa integração aconteça e qual seria o impacto para a Amazônia e para o Brasil?

Marcello Di Gregorio: A Amazônia precisa estar no centro do Plano Nacional de Logística, não à margem. Os rios amazônicos são os nossos principais corredores logísticos e devem ser estruturados como hidrovias, para que haja dados registrados, compreensão dos ciclos de cheias e secas e identificação de todos os gargalos operacionais.

Dessa forma, poderemos nos integrar adequadamente aos eixos rodoviário e ferroviário. Além de nos aproximar da soberania regional, inserir a Amazônia nesse plano é reconhecer que o transporte fluvial é o mais limpo, o mais eficiente e o mais coerente com o desafio climático global. É uma questão ambiental e de inteligência econômica.

Futuro e legado

Portal BrasilAmazôniaAgora – Se pudesse projetar os próximos dez anos, como o senhor imagina a logística da Amazônia? O que o Super Terminais gostaria de deixar como legado para a região e para a indústria nacional?

Marcello Di Gregorio: Queremos deixar como legado uma Amazônia mais conectada, produtiva e sustentável. O futuro da logística amazônica passa por inovação, integração regional e responsabilidade ambiental. Atuamos para que enxerguem a logística da Amazônia não como um obstáculo, mas como uma oportunidade, uma rede viva de fluxos sustentáveis que mantém a floresta em pé e movimenta o país.


(*) Coluna Follow Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas, às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, BrasilAmazôniaAgora. 

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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