Pesquisa revela falta de informação sobre a COP30 e expõe desconfiança global na efetividade das negociações climáticas lideradas pela ONU.
A pesquisa mais recente do Instituto Ipsos revela que 48% dos brasileiros desconhecem o objetivo da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). Apenas 52% dos entrevistados no país identificam corretamente a COP como uma reunião para negociar ações de combate à crise climática.
O levantamento, realizado entre junho e julho de 2025, ouviu mais de 23 mil pessoas em 30 países. No Brasil, embora a COP30 aconteça em Belém (PA), apenas 35% da população sabe que a cidade sediará o evento, o maior índice entre os países pesquisados, ainda que relativamente baixo.

A pesquisa também apontou ceticismo em relação à efetividade da COP30. No Brasil, 43% acreditam que o evento será apenas simbólico, 41% esperam avanços concretos e 16% não têm expectativa. Jovens da Geração Z demonstraram maior otimismo globalmente (45%), enquanto entre os Boomers esse índice cai para 29%.
O pessimismo predomina em países desenvolvidos. Apenas 24% dos norte-americanos e 22% dos cidadãos do G7 acreditam que a COP30 resultará em ações concretas. Já na América Latina, esse número sobe para 39%, chegando a 51% no Oriente Médio e África.
Para Márcia Cavallari, diretora do Ipsos, a diferença pode estar ligada à percepção de risco. “Hipoteticamente, os jovens e a população dos países do Sul Global podem ver medidas climáticas como fundamentais para suas futuras oportunidades e condições de vida, impulsionando uma perspectiva mais otimista”, afirmou.
Entre as principais barreiras apontadas para o avanço da agenda climática estão a falta de vontade política (42%), fiscalização ineficaz contra o desmatamento (34%) e escassez de financiamento (31%). Além disso, 70% dos brasileiros veem as empresas como mais preocupadas com lucros do que com o meio ambiente e 56% acham que bilionários deveriam arcar com os custos da crise climática.
A pesquisa também destaca o apoio à compensação financeira para países que preservam florestas, como o Brasil, que lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. A proposta de repassar recursos a nações que conservam seus biomas e aplicar sanções em caso de desmatamento conta com o apoio de 62% dos brasileiros e 61% dos entrevistados globalmente.

