Constituição Brasileira agora em língua indígena: um marco para os povos originários

Em um momento histórico para a inclusão linguística no Brasil, a primeira tradução oficial da Constituição Brasileira em língua indígena será lançada nesta quarta-feira, 19 de Julho, em São Gabriel da Cachoeira (AM). O documento, agora disponível na língua Nheengatu, também conhecida como Tupi moderno, foi traduzido por indígenas bilíngues da região do Alto Rio Negro e Médio Tapajós

A presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Rosa Weber, e a ministra Cármen Lúcia estarão presentes no evento. Desde o início do ano, Rosa havia assumido o compromisso de publicar uma versão da Constituição em língua indígena. A ministra enfatizou que a Constituição de 1988 “expressa os anseios da sociedade brasileira, em sua pluralidade e diversidade, formada ao longo dos séculos por grupos sociais das mais variadas origens étnicas, que lograram resistir à colonialidade e à escravidão”

A tradução para o idioma Nheengatu representa um passo significativo para a promoção da igualdade substantiva, pois assegura o acesso à informação e à justiça para as comunidades indígenas, permitindo que estes povos conheçam os direitos, os deveres e os fundamentos éticos e políticos que dão sustentação ao Estado democrático de Direito

constituicao indigena 17072023163253499
DIVULGAÇÃO/STF

Este projeto foi realizado em parceria com o Tribunal de Justiça do Amazonas e a Escola Superior de Magistratura do estado . No mesmo evento, Rosa Weber também sancionará a lei estadual de cooficialização das línguas indígenas e a instituição da política estadual de proteção das línguas indígenas do Amazonas

Desde que assumiu a presidência do Supremo, em setembro do ano passado, a ministra tem priorizado questões relacionadas aos povos indígenas. Exemplo disso foi o seu compromisso de pautar a ação sobre o marco temporal das terras indígenas, um ponto controverso e não tratado na legislação vigente

Constituição brasileira
Foto divulgação
A tese do marco temporal propõe que a demarcação dos territórios indígenas deve respeitar a área ocupada pelos povos até a promulgação da Constituição Brasileira, em outubro de 1988. Este critério, porém, é criticado por advogados especializados em direitos dos povos indígenas, por validar e legalizar invasões e violências cometidas contra indígenas antes da referida data

Enquanto aguardamos o retomar do julgamento da tese do marco temporal, o lançamento da Constituição em Nheengatu é uma celebração da diversidade e resiliência cultural do Brasil, e um reconhecimento dos direitos fundamentais dos povos indígenas.

*Com informações da Folhapress

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Amazônia Inteligente 2026: quem precisa participar

“Mais do que um evento de tecnologia, um chamado...

Startup transforma biodiversidade amazônica em tecnologia que acelera cicatrização

Biodiversidade amazônica impulsiona startup que desenvolve tecnologia para acelerar cicatrização e cria soluções sustentáveis em saúde e bioeconomia.

Super El Niño pode acontecer? Veja o que dizem especialistas sobre o termo viral

El Niño 2026 levanta dúvidas sobre intensidade do fenômeno; especialistas explicam riscos, impactos no Brasil e limites das previsões climáticas.

Florestas africanas já emitem mais carbono do que absorvem, diz estudo

Estudo mostra que florestas africanas passaram a emitir carbono, elevando riscos climáticos e reforçando alerta para a preservação das florestas tropicais.