Conflitos fundiários na Amazônia ameaçam ribeirinhos e agricultores

A crescente disputa fundiária na Amazônia tem alimentado um clima de terror entre populações tradicionais e pequenos agricultores, com dois casos recentes exemplificando as tensões no cenário atual.

Em Porto Velho (RO), no Baixo Rio Madeira, agricultores familiares e ribeirinhos têm enfrentado ameaças diretas de fazendeiros e políticos influentes. Conforme reportagem da Agência Pública, o deputado federal José Eurípedes Clemente, conhecido como “Lebrão”, foi acusado de coagir o agricultor João de Mendonça para adquirir suas terras. “Comigo não vale isso de documento, não. Eu não abro mão dessa área. Vai ser minha”, teria afirmado o parlamentar. Rumores sugerem que “Lebrão” estaria comprando terras a valores bem abaixo do mercado, usando ameaças como ferramenta.

Guedes Arcanjo Tavares, um fazendeiro local, foi também mencionado como responsável por expulsar residentes de vastas extensões de terra. Imagens de satélite indicam a consequente expansão do desmatamento nesses territórios.

Amazônia
Avener Prado/Agência Pública

Paralelamente, no município de Tomé-Açu (PA), a Repórter Brasil destaca um incidente envolvendo três indígenas Tembé. O ataque está ligado às tensões entre a comunidade indígena e o grupo empresarial Brasil BioFuels (BBF), que busca expandir sua produção de óleo de palma, utilizado como matéria-prima para biocombustíveis. Contudo, populações locais, incluindo indígenas, quilombolas e ribeirinhos, denunciam que as plantações da BBF invadem Territórios Tradicionais.

Após o atentado, os indígenas receberam cuidados médicos. No entanto, um deles foi detido ainda no hospital, sob a acusação de danificar “um prédio privado”. Lideranças Tembé refutam a acusação, apontando a suposta conivência policial com os ataques perpetrados por jagunços ligados à BBF.

Em adendo, o Programa Queimadas, administrado pelo INPE, sofreu um ataque hacker, levando ao desligamento temporário do site na última quinta-feira (10/8). Apesar da preocupação inicial, o INPE assegurou que as informações não foram comprometidas e órgãos como o IBAMA e ICMBio continuam com acesso ininterrupto.

As recentes ocorrências evidenciam a necessidade urgente de se reforçar a segurança, a governança e a justiça nos territórios amazônicos, em defesa das populações tradicionais e do próprio meio ambiente.

*Com informações Agência Pública

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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