“O Brasil reabre caminhos no comércio exterior e o Amazonas precisa estar na dianteira do novo ciclo global de integração e sustentabilidade”
Coluna Follow-Up
O Programa COMEXA – Amazônia Exportadora e Conectada, em formulação pela Comissão de Comércio Exterior do CIEAM, nasce como uma resposta pragmática e visionária ao novo contexto global do comércio exterior. Enquanto o Governo Federal articula novas ferramentas de integração e investimento, o CIEAM estrutura, a partir da Amazônia, um modelo próprio de inserção internacional, com base em inteligência de mercado, inovação e sustentabilidade.
A recente reunião conduzida pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin, com os secretários estaduais de Desenvolvimento, no Palácio do Planalto, reforçou esse movimento de convergência entre as políticas nacionais e as agendas regionais de desenvolvimento.
O tema é único e urgente, destacou Serafim Corrêa, da SEDECTI: colocar o Brasil de um novo jeito no mapa das cadeias produtivas globais.
“A Amazônia precisa de políticas, mas também de processos, de metas e de métricas. O COMEXA é a ferramenta para transformar boas intenções em resultados mensuráveis.”
— Lúcio Flávio Morais de Oliveira, presidente executivo do CIEAM
O tempo das plataformas integradas
Enquanto o Governo Federal estrutura a Janela Única de Investimentos e o Monitor de Investimentos, o CIEAM propõe, por meio do COMEXA, um modelo de articulação regional capaz de conectar o Polo Industrial de Manaus às mesmas lógicas de integração digital e de convergência produtiva.
Essas plataformas federais, desenvolvidas pelo MDIC com apoio do BID, visam reduzir a fragmentação das informações sobre investimentos, projetos e exportações, uma barreira histórica que ainda restringe a presença da indústria da Amazônia no comércio exterior.
O desafio, portanto, é de sincronização estratégica: alinhar a estrutura institucional do COMEXA com os instrumentos nacionais e internacionais já em operação, de modo que a Amazônia participe da construção do novo Brasil exportador — não como exceção, mas como modelo.
Mercado continental: o primeiro degrau
O mercado latino-americano ressurge como caminho natural para o primeiro ciclo de expansão da indústria amazônica.
De acordo com dados do MDIC, a América do Sul já representa mais de 20% das exportações industriais brasileiras, com destaque para Argentina, Chile, Colômbia e Peru.
O Corredor Bioceânico, ligando o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Chile e do Peru, pode oferecer uma oportunidade concreta para reduzir custos logísticos e transformar Manaus em hub de manufaturas sustentáveis no eixo amazônico. A integração continental é mais do que um tema de infraestrutura — é uma estratégia de competitividade e soberania regional.

A janela europeia e o Acordo Mercosul–União Europeia
O Acordo Mercosul–União Europeia, que avança para assinatura definitiva, prevista para dezembro, projeta uma nova fronteira de exigências e oportunidades.
O modelo de industrialização incentivada da Amazônia, com controle fiscal rigoroso, rastreabilidade e compensação ambiental, antecipa critérios que em breve serão mandatórios para o acesso ao mercado europeu.
O COMEXA propõe que o setor industrial da região se posicione como pioneiro na certificação verde e na rastreabilidade de insumos, aproveitando a agenda de sustentabilidade como ativo de inserção comercial.
Mais do que exportar produtos, a Amazônia pode exportar confiança e credibilidade ambiental — tornando-se referência em indústria limpa e inovação regulatória.
Os ventos da Ásia e o reposicionamento necessário
A Ásia, que concentra hoje mais de 40% do fluxo mundial de manufaturas e componentes tecnológicos, representa o desafio e a oportunidade do século XXI.
A Amazônia tem condições únicas de dialogar com essa nova geografia econômica: energia limpa, biodiversidade, base industrial consolidada e localização estratégica.
O COMEXA poderá atuar como plataforma de articulação para parcerias tecnológicas e industriais, atraindo investimentos em inovação, robótica, semicondutores e biotecnologia aplicada.
A lógica é clara: transformar o Polo Industrial de Manaus em plataforma de reindustrialização verde, conectada ao Atlântico, ao Pacífico e ao futuro.
De Fórum ao Observatório e à Capacitação
As recomendações da Conferência de Comércio Exterior da Amazônia, realizada em outubro, foram claras: é preciso transformar o diálogo em projeto, o evento em estrutura e a visão em prática. O Plano de Estruturação do COMEXA, coordenado pela Comissão de Comércio Exterior do CIEAM, propõe cinco eixos de atuação: capacitação, digitalização, inteligência, sustentabilidade e governança.
O primeiro objetivo é lançar, em 2026, o Observatório Amazônico de Comércio Exterior, integrando dados, diagnósticos e oportunidades para orientar decisões empresariais e políticas públicas.
Deveres de casa para o futuro da exportação
Se a primeira etapa do COMEXA é estrutural, a segunda é tecnológica e cultural: preparar a indústria brasileira para competir no tabuleiro das grandes transformações globais.
Como provocou Augusto Cesar Barreto Rocha, em recente artigo, coordenador da Comissão de Logística e Comissão de Competitividade do CIEAM:
“Quando entraremos no negócio de veículos autônomos em escala?
Como ampliar o que Lume Robotics vem fazendo no país em uma gama muito maior de veículos? O que falta para isso?
Precisamos construir aqui a indústria do presente-futuro, ao invés de só olhar para o passado-presente. Há de se operacionalizar as indústrias do século XXI. A potencialização da indústria brasileira é uma necessidade fundamental e isso se fará muito mais rapidamente se ampliarmos o que já temos.”
Essa reflexão é o eco natural do COMEXA. Não basta exportar mais, é preciso exportar o que traduz a inteligência industrial brasileira — e a Amazônia tem o que ensinar ao país nesse campo.
Exportar será, doravante, sinônimo de inovar e integrar.
Da nota técnica à ação coletiva
O cenário nacional — com novas ferramentas de investimento, linhas de crédito do BID e avanços nas negociações multilaterais — oferece uma oportunidade singular para o Amazonas transformar sua vantagem fiscal em vantagem tecnológica e reputacional.
O COMEXA nasce para ocupar o espaço entre a política e o mercado, conectando ciência, indústria e diplomacia.
“O futuro do comércio exterior brasileiro será definido pelas regiões que conseguirem unir inovação e sustentabilidade.
A Amazônia pode — e deve — estar entre elas.” Celiomar Gomes, coordenador da Comissão de Logística
Coluna Follow-Up é publicada no Jornal do Comércio do Amazonas às quartas, quintas e sextas feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, editor geral do portal BrasilAmazoniaAgora.com.br
