Coalizão alerta para riscos do Projeto de Lei 510, sobre regularização fundiária

No dia 28 de abril, diante da possibilidade de votação, no Congresso, do Projeto de Lei do Senado (PLS) 510/2021, a Coalizão Brasil divulgou um posicionamento apontando as principais controvérsias do texto. Entre outros pontos, o PLS modifica para 2014 a data limite para que invasões de terras públicas sejam legalizadas, o que pode incentivar o desmatamento, mais ocupações ilegais de terras e trazer prejuízos às comunidades tradicionais, especialmente na Amazônia.

“Entendemos que realizar a regularização fundiária de ocupações existentes há décadas em terras públicas é um passo fundamental para evitar conflitos, dar segurança jurídica e oferecer inclusão econômica aos produtores rurais, promovendo justiça social e permitindo a boa governança do território brasileiro. Não é disso, no entanto, que trata o PLS 510/21”, afirma o texto.

Pelo projeto, além da mudança da data limite, áreas de até 2.500 hectares podem ser repassadas aos que se dizem ocupantes das terras e sem necessidade de vistoria. Para a Coalizão, a constante flexibilização do marco temporal e do tamanho dos imóveis a serem titulados acaba por legitimar a prática da grilagem e estimula novas ocupações ilegais, aumentando a pressão sobre as florestas públicas.

No documento, o movimento sugeriu, ainda, que o Congresso Nacional instale um Grupo de Trabalho para reunir especialistas que possam apontar caminhos e apresentar propostas legislativas para melhorar a gestão das florestas públicas.

A Coalizão já vem se dedicando ao tema da regularização fundiária por meio de uma Força-Tarefa que busca fazer as discussões avançarem para um melhor resultado. Esse acompanhamento permite ver que o atual PL no Senado é praticamente uma reedição do primeiro relatório da MP 910 (que virou o PL 2633, em 2020), que foi alvo de imensas críticas de diversos setores da sociedade civil. A Coalizão manifestou-se publicamente sobre o tema ao longo de 2020, com análises dos pontos mais críticos e envio de cartas aos parlamentares. Todos esses documentos estão no site do movimento.

Diante da oposição de entidades da organização civil e de outros congressistas, o PLS 510 acabou não sendo votado no dia previsto, que era 28 de abril.

O posicionamento da Coalizão repercutiu na mídia, com mais de 37 menções só no dia da votação no Senado e com contínua repercussão durante o mês de maio, com destaque para O Estado de S. Paulo, Um Só Planeta e Valor Econômico.

Fonte: Coalização Brasil

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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