Acidente aéreo no Pantanal mata Kongjian Yu, idealizador das cidades-esponja

Inspirado em práticas ancestrais, Yu criou as cidades-esponja para enfrentar inundações sem muros ou concreto, priorizando áreas alagáveis e vegetação nativa

O arquiteto e paisagista chinês Kongjian Yu, referência mundial em urbanismo sustentável, morreu nesta quarta-feira (24) em um acidente aéreo em Aquidauana (MS), região do Pantanal. Ele viajava com outras três pessoas, que também não resistiram à queda da aeronave. Reconhecido como o idealizador das cidades-esponja, Yu esteve no Brasil em diferentes ocasiões, inclusive quando visitou o Rio Grande do Sul após as enchentes em 2024.

Professor da Universidade de Pequim, começou a desenvolver o conceito das cidades-esponja nos anos 2000, após presenciar as inundações frequentes em sua cidade natal, na província de Zhejiang. A ideia foi uma resposta ao crescimento da chamada “infraestrutura cinza”, baseada em concreto, canalização e impermeabilização do solo. Em oposição a isso, Yu defendeu soluções que devolvem espaço à água, com áreas alagáveis, vegetação nativa e parques que funcionam como barreiras naturais contra enchentes.

Parque urbano na China com conceito de cidades-esponja, áreas verdes e lagos de retenção.
Parques das cidades-esponja funcionam como áreas de lazer na seca e espaços de contenção natural durante enchentes. Foto: Turenscape.

A estratégia das cidades-esponja foi adotada oficialmente pela China em 2013 e hoje está presente em mais de 250 municípios do país, além de inspirar projetos em outros continentes. Os parques multifuncionais, que viram pontos de lazer durante a seca e zonas de contenção no período chuvoso, são um dos exemplos mais emblemáticos. Para Yu, a convivência com os ciclos da água não é uma inovação, mas um resgate de práticas antigas de povos que aprenderam a lidar com monções.

Vista panorâmica de cidade chinesa adaptada com o modelo de cidades-esponja.
O conceito das cidades-esponja foi aplicado em mais de 250 municípios da China, transformando o urbanismo contra enchentes. Foto: Turenscape.

Premiado internacionalmente, o arquiteto voltou este ano ao Brasil para participar da Bienal de Arquitetura, antes de seguir viagem ao Pantanal. Na ocasião, afirmou que o país tem potencial para se tornar referência mundial em soluções de adaptação climática baseadas na natureza. Sua morte interrompe a trajetória de um dos nomes mais influentes da arquitetura paisagística contemporânea, responsável por transformar a visão global sobre arquitetura sustentável e adaptação climática.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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