Brasil quer financiamento e mercado, mas rejeita taxação de carbono no comércio internacional

Em entrevista a Daniela Chiaretti no Valor, o negociador-chefe do Brasil na COP26, Leonardo Cleaver de Athayde, explicou que o país buscará em Glasgow um entendimento em torno do artigo 6 do Acordo de Paris, aquele que regulamenta o uso de instrumentos de mercado para redução de emissões. Athayde disse que o Brasil já sinalizou a flexibilização de sua posição nessas conversas, mas espera reciprocidade dos demais países, especialmente no tema de financiamento climático. A Bloomberg também repercutiu a informação.

O diplomata também reforçou a indisposição do governo brasileiro em aderir ao acordo internacional para redução das emissões de metano, costurado por EUA e União Europeia. “[O acordo] não leva em conta as particularidades dos países em relação a seus perfis de emissão”, justificou, sem abordar o impacto da pecuária brasileira nas emissões de metano.

Enquanto isso, o governo Bolsonaro criticou a proposta de sobretaxação de produtos importados com base nas emissões de carbono associadas à produção feita pela União Europeia. De acordo com a Folha, a justificativa vem das distorções no comércio e na economia global que podem ser criadas pela taxação. “A tributação não é a melhor solução para a questão ambiental, ela cumpre só parte do objetivo da política”, explicou Erivaldo Gomes, secretário de assuntos econômicos internacionais do ministério da economia. A taxa gerará “uma penalidade para o poluidor, o que é parte de uma política de transição para uma economia mais limpa, mas ela não gera os recursos necessários para os investimentos em tecnologias limpas”.

Enquanto isso, um negociador anônimo escreveu no Guardian sobre o incômodo que os países emergentes (entre eles, o Brasil) estão causando antes da COP26. Para ele, essas economias insistem em se esconder atrás do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas para rejeitar compromissos e ações mais ambiciosas para conter as emissões de carbono.

“Os interesses dos pequenos países em desenvolvimento e dos grandes países em desenvolvimento são muito diferentes: desenvolvimento versus existência”, argumentou. “Para as maiores economias em desenvolvimento, o desenvolvimento é mais importante do que o clima. Mas para nós, trata-se de sobrevivência. [Com aquecimento] a 1,5°C, será difícil, mas podemos nos adaptar. Acima de 1,5°C, não podemos e os impactos serão terríveis”.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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