Para Joaquim Levy, Brasil deve priorizar produtividade sustentável e adaptação climática

Após COP30, ex-ministro da Fazenda aponta que o Brasil precisa unir regulação e inovação para ampliar a produtividade sustentável e enfrentar os riscos climáticos crescentes.

Durante evento realizado no Insper, em São Paulo, o economista Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e atual diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercados do Banco Safra, afirmou que a Conferência do Clima da ONU (COP30) representou um retrocesso no avanço das finanças climáticas.

Segundo ele, embora a edição tenha priorizado a implementação, a expectativa por grandes aportes internacionais permanece uma “utopia”, dada a conjuntura econômica e geopolítica que limita a capacidade de contribuição dos países desenvolvidos.

Levy destacou que o Brasil tem potencial para se consolidar como uma plataforma de soluções sustentáveis, desde que faça escolhas consistentes e de longo prazo. Para alcançar a neutralidade de carbono até 2050, o país precisará alinhar políticas regulatórias eficazes com estratégias que estimulem produtividade sustentável. Ele reforçou que instrumentos financeiros verdes só funcionam quando integrados de forma orgânica aos setores econômicos, gerando valor e inovação.

Colheitadeira operando em plantação de milho no Brasil, representando modelos de agricultura voltados à produtividade sustentável.
Colheita de milho. Foto: Viktor Pashyn/ Getty Images

Entre os exemplos positivos, Levy mencionou o uso do milho para produzir etanol e proteína animal, além de iniciativas como ônibus elétricos movidos a etanol. Esses modelos, segundo ele, demonstram como a produtividade sustentável pode aumentar a rentabilidade e reduzir a dependência de combustíveis fósseis sem demandar subsídios governamentais.

O economista também defendeu a modernização do sistema elétrico, afirmando que o modelo hidrelétrico baseado apenas em séries históricas de vazão já não é suficiente diante das mudanças climáticas. Ele propôs ampliar o uso de inteligência artificial e dados de satélite para aprimorar previsões e reduzir custos operacionais.

Para Levy, a adaptação climática deve ser o foco central do investimento público, especialmente em áreas vulneráveis. Ele criticou a postura passiva dos bancos multilaterais e defendeu maior protagonismo dessas instituições na viabilização de projetos que unam resiliência e produtividade sustentável.

Ônibus elétrico movido a etanol circulando em área urbana, exemplo de inovação ligada à produtividade sustentável.
Tecnologias como ônibus elétricos movidos a etanol reforçam caminhos possíveis para ampliar a produtividade sustentável no transporte brasileiro. Foto: Divulgação/Volvo Group.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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