Aumento do CO2 favorece o cultivo de mandioca

O aumento das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 -, um dos principais gases do efeito estufa, irá favorecer o cultivo de mandioca. O rendimento da produção deverá crescer em ambientes com mais CO2, afirmou estudo publicado no Jornal de Botânica Experimental.

Atualmente, a mandioca consiste em fonte alimentar para mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. Em lugares como a África Subsaariana, a mandioca responde por mais de 25% das calorias consumidas pela população.

A planta apresenta um conjunto de características importantes. Ela tem boa produtividade mesmo em ambientes pouco favoráveis. Produz repelentes natural – cianeto – e permanece comestível por longos períodos. Popularmente se consome as raízes da mandioca. Mas as folhas, com maior teor de proteína, também podem ser consumidas após desintoxicação.

Diante da expectativa de crescimento da demanda por mandioca nas próximas décadas, existe o risco de uma escassez de oferta. Na maioria das regiões produtoras, desde a década de 1990 se observa uma estagnação no rendimento da cultura. O cenário poderá se agravar em função das mudanças climáticas.

CO2 e produtividade

Um dos possíveis efeitos do aumento do CO2 atmosférico ocorre sobre a produtividade de culturas. Com mais CO2 disponível no ar, alguns tipos de plantas são capazes de melhorar a eficiência do processo de fotossíntese.

Um experimento anterior, realizado com um único tipo de cultivar de mandioca, registrou que em ambientes de maior CO2, subia a biomassa da planta e das raízes. O estudo investigou se o mesmo efeito ocorreria em outros cultivares.

Os cientistas analisaram oito cultivares diferentes da mandioca. Eles submeteram metade das parcelas a concentrações mais elevadas de CO2, e a outra metade às concentrações normais, durante 4 meses. Em seguida, compararam os rendimentos entre as parcelas.

As parcelas sob CO2 elevado produziram raízes maiores, com crescimento da biomassa fresca em cerca de 27%. O rendimento do cultivo, portanto, subiu quase em um terço. O estudo identificou que, nas novas condições, as plantas conseguiram elevar a taxa de fotossíntese, e utilizaram a água de forma mais eficiente.

Outro resultado importante foi que o conteúdo de proteína nas folhas se manteve o mesmo, e as concentrações de cianeto não se alteraram. Os resultados, no entanto, tiveram variações relevantes para cada cultivar avaliado.

Além de resistente, a mandioca poderá experimentar um maior rendimento no futuro. Se é uma importante fonte alimentar no presente, poderá ganhar ainda mais importância em um futuro de mais CO2 e aquecimento global.

Fonte: Ciência e Clima

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Da pesquisa à prosperidade, um mutirão de oportunidades entre Amazonas e São Paulo

“A cooperação científica, tecnológica e industrial abre janelas para...

Idesam e Bezos Earth Fund oferecem até R$ 345 mil para tecnologias da Amazônia

Idesam conecta ciência, comunidades e empresas para desenvolver tecnologias com a biodiversidade amazônica, com apoio do fundo de Jeff Bezos.

O Brasil conhece esse medo

"Antes do segundo turno, o país precisa reconhecer o...

Agro-bolsonarismo dá à direita uma base no Centro-Oeste e nas bordas da Amazônia comparável à do PT no Nordeste, diz pesquisador 

Pesquisador analisa como o agro-bolsonarismo consolidou uma base eleitoral nas fronteiras agrícolas e ampliou conflitos.

O que o eleitor precisa saber antes de entregar o poder

"As mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro colocam...