Novo Atlas da Amazônia retrata a floresta por quem vive nela — e propõe soluções para seu futuro

Composto por 32 artigos, o Atlas da Amazônia Brasileira aborda os desafios, os saberes e as potências da maior floresta tropical do planeta

Em um contexto decisivo, com os holofotes globais voltados para a Amazônia em preparação para a COP30, que será realizada em Belém (PA), a Fundação Heinrich Böll lançou o Atlas da Amazônia Brasileira, obra que busca ampliar a compreensão sobre a região a partir de vozes indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Composto por 32 artigos, o Atlas aborda os desafios, os saberes e as potências da maior floresta tropical do planeta.

São mais de 50 autores e autoras envolvidos, entre os quais estão 19 indígenas, 5 quilombolas e 2 ribeirinhos. Os temas vão vão desde a preservação ambiental e os saberes ancestrais, até a crescente violência e exploração ilegal, como na mineração. A obra também questiona o chamado greenwashing, ao mesmo tempo em que propõe alternativas para um desenvolvimento sustentável e justo. 

“Esperamos que o material possa estimular diálogos e inspirar soluções para as adversidades que a Amazônia e seus povos enfrentam, representativo de inúmeros conflitos entre o homem e a natureza”, afirma Regine Schönenberg, Diretora da Fundação Heinrich Böll no Brasil.

Atlas da Amazônia Brasileira traz saberes e denúncias de quem vive a floresta.
Atlas da Amazônia Brasileira traz saberes e denúncias de quem vive a floresta | Foto: Fred Rahal

Os últimos anos parecem ter desenhado um cenário sombrio para a Amazônia e suas populações, marcado por duas forças de pressão simultâneas: os impactos acelerados do colapso climático e as disputas políticas e econômicas que moldam o destino da floresta.

De um lado, a região sofre com o agravamento de eventos extremos, perda de biodiversidade e alterações nos ciclos hidrológicos, enquanto crimes ambientais se intensificam, agora muitas vezes organizados por facções do narcotráfico, que disputam o controle de territórios estratégicos. De outro, grandes projetos econômicos, como hidrelétricas, mineração e expansão agropecuária, seguem orientando políticas públicas e decisões de investimento, quase sempre com pouca ou nenhuma participação das populações locais.

No entanto, em contraponto a esse avanço destrutivo, a Amazônia também é palco de uma mobilização intensa e inspiradora de movimentos sociais, coletivos e organizações socioambientais. Assim, o Atlas da Amazônia Brasileira, que será traduzido também para outros idiomas visando impacto internacional, surge como uma ferramenta para apresentar uma visão mais fiel, crítica e territorializada da realidade amazônica, contrapondo narrativas externas simplificadas com saberes locais e dados fundamentados em vivências.

Narubia Werreria, líder do povo Yny. Foto: TEDxAmazônia
Narubia Werreria, líder do povo Yny. Foto: TEDxAmazônia

“Defender o papel de protagonista dos povos amazônidas é fundamental para qualquer debate sobre soluções para a crise climática, garantindo seus direitos territoriais e preservando seus modos de vida. O momento é de ação: proteger, preservar e garantir que a Amazônia continue de pé, não apenas para o Brasil, mas para o planeta”, conclui Schönenberg.

Acesse o Atlas da Amazônia Brasileira clicando neste link.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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