"De uma coisa estamos certos, sem o envolvimento de atores locais amazônicos, onde habita 20% da biodiversidade do planeta, iremos a lugar algum [...] Que tal uma conferência amazônica com mapeamento de prioridades, oportunidades, métricas, metas e avaliação dos resultados, ouvindo quem entende do riscado?"
A mobilização das entidades do Amazonas para trazer os atores federais ao debate logístico merece ser reconhecida. Durante muito tempo, a navegação amazônica foi tratada em Brasília como uma facilidade concedida pela geografia: rios largos, extensos e aparentemente inesgotáveis dispensariam a disciplina de planejamento reservada às rodovias, ferrovias e portos. As secas de 2023 e 2024 expuseram o preço dessa ilusão. A presença recente do Ministério de Portos e Aeroportos, da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação e do DNIT abre uma oportunidade que a região não deve desperdiçar. Para aproveitá-la, será preciso qualificar o debate e distinguir uma obra necessária em certos pontos de uma política capaz de organizar todo o sistema.