Os Estados Unidos, outrora bastião da liberdade e - junto com os comunistas - protagonistas na derrota do nazismo, hoje parecem encenar a mais perversa ironia da história: liderados por Donald Trump, passam a exibir sintomas de um mandonismo autocrático que remete justamente àquilo que um dia combateram.
O que está em jogo não é apenas uma tarifa de 10% ou uma sobretaxa de 40% — e sim o futuro de setores produtivos inteiros, com destaque para a Zona Franca de Manaus. Os Estados Unidos têm sinalizado que não querem mais depender de cadeias globais em setores considerados “sensíveis”, como tecnologia, energia e defesa. E qualquer país que esteja no meio do caminho dessa reindustrialização americana corre o risco de ser atropelado pelo trator da segurança nacional.
O tarifaço pode ser um catalisador para a transformação do modelo produtivo da Amazônia, sua diversificação, adensamento e interiorização, investindo com mais vigor na direção da biotecnologia, bioeconomia, energia limpa e soluções baseadas na natureza.
Aos que negociam com revólver na mesa, o Brasil responde com o poder silencioso da diplomacia e a firmeza daqueles que sabem que gritar não é sinal de força — e sim de covardia.