Secretário de Energia do governo Trump afirmou em entrevista que há possibilidade de participação dos EUA na COP30, em Belém. A declaração surpreende após medidas de Trump contra a agenda climática e tensões diplomáticas com o Brasil.
Os Estados Unidos podem enviar uma delegação para a COP30, que será realizada em novembro de 2025 em Belém (PA). A informação foi confirmada pelo secretário de Energia do país, Chris Wright, em entrevista à Bloomberg. Segundo ele, os EUA estariam abertos a participar do evento para um “diálogo honesto” sobre a viabilidade da transição energética global.
A possibilidade reacende o debate sobre a atuação climática da gestão republicana. Uma das primeiras medidas de Donald Trump ao reassumir a presidência em janeiro foi retirar novamente os EUA do Acordo de Paris, repetindo a decisão de seu primeiro mandato. Desde então, o governo tem adotado políticas que confrontam a agenda ambiental.
Apesar do histórico negacionista e dos conflitos diplomáticos ligados ao tarifaço, Trump foi formalmente convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comparecer à cúpula climática. A expectativa inicial era de recusa, diante do afastamento diplomático entre os dois países e da postura crítica de Trump em relação às negociações multilaterais. A possível presença dos EUA na COP30, portanto, causa surpresa e gera apreensão sobre o impacto de sua participação.
Chris Wright, que também é fundador da empresa petrolífera Liberty Energy, declarou que as mudanças climáticas “são uma realidade” e que não se oporia a participar da COP30 “caso tenha um público e uma plataforma para interagir com o mundo”.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconhece que a conjuntura geopolítica atual — marcada por guerras e medidas protecionistas — dificulta os avanços. Ainda assim, reforça que a conferência será uma oportunidade para cobrar o cumprimento dos compromissos firmados. A presença dos EUA na COP30, se confirmada, deve aumentar as tensões no debate sobre os rumos da transição energética global.

