As aventuras do “rei da grilagem” em Brasília

O empresário Jassonio Costa Leite, de Tocantins, era um ilustre desconhecido do noticiário nacional até a semana passada, apesar de ter sido apontado pelo Ibama no começo deste mês como “chefe” de um esquema criminoso de grilagem em Terras Indígenas responsável pela destruição de mais de 21 mil hectares de floresta no Pará. Mesmo com uma autuação recorde de mais de R$ 105 milhões, o Ibama curiosamente optou por não revelar o nome do cidadão. O mistério foi desvendado por André Borges no Estadão, que destacou também as conexões de Jassonio nos corredores do poder na Brasília de Bolsonaro. No ano passado, Jassonio foi um dos alvos da megaoperação do Ibama que resultou na apreensão e destruição de equipamentos utilizados pelos criminosos. Criticada publicamente por Bolsonaro, essa ação precipitou a exoneração de três servidores por Ricardo Salles.

Falando em grilagem, vale a pena ler o especial feito pelo monitor socioambiental Sinal de Fumaça sobre a “pátria grilada”. Ele explora como o governo Bolsonaro está colaborando direta e indiretamente para a intensificação das invasões de Terras Públicas, Unidades de Conservação e Territórios Indígenas por criminosos, espalhando destruição e violência na Amazônia brasileira.

Em tempo: O Globo destaca três medidas tomadas pelo governo federal que, na prática, dificultaram a fiscalização de madeira ilegal, desde a investigação da extração clandestina à exportação do material. Uma delas, aprovada em 2019 pelo presidente do Ibama, Eduardo Bim, impede que madeira ilegal já comercializada seja apreendida, caso o fiscal não consiga provar que o comprador tenha tido ciência da origem ilegal do produto. Outra medida, adotada no ano passado, acabou com a exigência de autorização especial do Ibama para exportação de produtos florestais de origem nativa. Por fim, o pedido de exclusão do Ipê da lista internacional de espécies ameaçadas da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES), também facilitou a exploração ilegal dessa árvore, uma das mais valorizadas e cobiçadas do mercado madeireiro.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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