Apesar da pandemia, governos estaduais e federal tiveram maior arrecadação de impostos em 2021

Para Ursula Dias, não falta recurso para políticas públicas e sim uma coordenação política entre as três esferas do poder

No segundo ano da pandemia da covid-19, a situação fiscal dos estados brasileiros melhorou devido ao aumento do ICMS e do Fundo de Participação dos Estados, além da queda dos gastos com pessoal e encargos sociais, de acordo com o boletim 38 Covid-19: Políticas Públicas e as Respostas da Sociedade. 

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição, a professora Ursula Peres, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, pesquisadora da Rede de Pesquisa Solidária e uma das responsáveis pelo boletim, explicou que “o ano passado teve uma característica distinta porque houve uma recuperação da arrecadação dos estados. Em 2020, a pandemia levou a uma queda do ICMS”.

A professora destaca também que, dentre os estados que mais arrecadaram ICMS, houve variação dos preços de combustível e inflação. Já a União teve uma alta de arrecadação de imposto de renda, o que levou a um repasse maior de participação. “Como aumenta a arrecadação de impostos, devem aumentar os gastos que são vinculados em impostos para educação e saúde”, completa.  

Ursula ressalta que os gastos com a educação aumentaram, o que foi impulsionado pelos estados, principalmente no segundo semestre de 2021. No entanto, nem todos aumentaram na mesma medida.

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Foto: Divulgação

Arrocho salarial

As despesas aumentaram em todos os setores na educação, mas houve uma queda com salários e encargos, nestes dois últimos anos. “Essa vedação das despesas de pessoal, por um lado, levou a um arrocho salarial e isso traz pressão. Neste ano, temos acompanhado uma série de negociações dos governos de Estado, de grupos, corporações e carreiras, por aumentos tanto na segurança pública quanto na educação”, explica a professora.

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Foto: Divulgação

Falta de coordenação entre as três esferas do poder

Outro ponto abordado por Ursula é que o investimento dos estados está sendo maior do que o do governo federal. “Precisa ter um acompanhamento, um planejamento e investimento para nos recuperar e ações nessas áreas de políticas públicas.”

A área da saúde teve um investimento mais adequado se comparado com a educação, por razão da urgência que a crise sanitária pedia. Mas, para a professora,  não foi a ausência de recurso que atrapalhou, “foi uma dificuldade de ter uma coordenação política entre as três esferas”, o que dificultou respostas para as demandas públicas. 

Os estados fecharam com R$ 140 bilhões o caixa em dezembro de 2021. Então, há uma reserva. Porém, com a guerra na Ucrânia e o comércio internacional sendo afetado, não se sabe qual será o comportamento da arrecadação do ICMS. “Pode ter uma pressão inflacionária, a depender de como seja essa questão toda de fertilizantes aqui do Brasil. Temos novamente um cenário de incerteza que não é pela pandemia, mas por essa guerra”, afirma Ursula.

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Ursula Peres – Foto: IEA

Fonte: Jornal da USP

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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