Um relator comprometido com a Amazônia na Reforma Tributária

“Eduardo Braga criou, entre outros programas de suporte ao desenvolvimento regional, o CETAM, Centro de Educação Tecnológica do Amazonas, um mega programa de formação profissional pelo beiradão amazônico. Ou seja, proteção florestal e qualificação profissional com a pegada da sustentabilidade. Mais de dois milhões de jovens qualificados. Não é fácil, todos sabem, mas é possível, disputar mão de obra para os jovens com o crime organizado na Amazônia. Eles não emitem NFe, não pagam imposto nem assinam carteira profissional. E isso precisa mudar.”

Por Alfredo Lopes
_________________

Coluna Follow-Up

Com um repertório parlamentar de quem conhece os problemas do país e sabe da importância da Amazônia e de seu programa de redução das desigualdades regionais, a Zona Franca de Manaus, o senador Eduardo Braga foi escolhido por seus pares como Relator da Reforma Tributária. Trata-se da mais importante mudança neste Brasil e sua paisagem social injusta de desigualdades entre o Norte-Nordeste e o Sul-Sudeste. O objetivo da reforma é este, além da simplificação tributária e da atração de investimentos que possam gerar emprego e oportunidades para os barrados do baile econômico e social do país.

Braga, está em seu segundo mandato de Senador da República, tem uma bagagem ímpar de conhecimento e de dedicação aos interesses da Amazônia, onde nasceu e à qual tem-se dedicado com programas e projetos de extrema relevância. Entretanto, foi em seu primeiro mandato de governador do Amazonas, o Estado mais conservado em seu bioma florestal, que se deu a primeira prorrogação da Zona Franca de Manaus, após a Constituição de 1988. Foi sob sua coordenação e conexão parlamentar com o Congresso Nacional que as vantagens desta Amazônia remota foram prorrogas. 

Reforma Tributaria Congresso foto Lula Marques Agencia Brasil
Brasília (DF) 03/08/2023 Presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, entrega do texto da Reforma Tributária ao Presidente do Senado Federal, Senador, Rodrigo Pacheco. Foto Lula Marques/ Agência Brasil

E no seu exercício de Senador do Amazonas, em 2014, conseguiu mobilizar seus pares da região para mostrar a amigos e desafetos da ZFM em todo o Brasil, o conjunto de benefícios que este programa de desenvolvimento regional conquistou. No final, praticamente por aclamação, todos os parlamentares do Brasil votaram a favor da ZFM, que utiliza menos de 8% dos gastos fiscais do país para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Ocidental, mais o Estado do Amapá. O país, através de seus representantes, escolheu proteger o polo industrial de Manaus, que movimenta 85% da economia da região e, indiretamente sua floresta, com seus preciosos serviços ambientais para o país e para o Clima.

Em compassos de decisões da Reforma Fiscal, no Senado Federal, em recente entrevista, antes de iniciar a etapa de estudos técnicos e econométricos para debater a proposta da Câmara dos Deputados, Braga dirigiu-se aos internautas para assumir um compromisso de brasilidade, assegurando um tratamento equânime e justo para as diversas regiões.

https://youtu.be/LPV23jV86xY

Entretanto, os empregos e investimentos do Polo Industrial de Manaus estarão protegidos, isto é , serão assegurados e não haverá surpresas desagradáveis para quem produz. Seu recado à população brasileira é lutar para que o Norte-Nordeste deixe de ser tratado como o Brasil pobre e desassistido, comparado ao Sul-Sudeste historicamente privilegiado. E a mudança para redução das desigualdades será possível na medida em que a reforma puder garantir emprego, renda e oportunidades para o desenvolvimento de um país mais justo.

Cabe então a pergunta: o que Brasil vai ganhar com a manutenção do programa ZFM? No último relatório das organizações que trabalham na Amazônia, sobre a TI Yanomami, o quadro de crise humanitária permanece ameaçador e fortemente coagido pelas organizações do narcotráfico. Manter a ZFM e aplicar na região os recursos que o programa gera significa diversificar e interiorizar a economia, oferecendo contrapartidas mais dignas e coerentes com o desenvolvimento sustentável, ou seja, atendimento das demandas sociais e reposição dos estoques naturais. Isso é possível? Sim e, principalmente, necessário. Proteger a floresta e suas populações originárias supõe investimentos e integração proativa. Jamais ações predatórias muito menos ilegais e criminosas.

ave zona franca de manaus foto Marcio Gandra Flickr
foto: Marcio Gandra/Flickr

Em seus dois mandatos de governador (2003-2010), o relator da Tributária no Senado expandiu as áreas de proteção ambiental exponencialmente e se encarregou de sugerir ao parlamento estadual uma legislação específica e paradigmática de proteção ambiental e de promoção social como padrão de desenvolvimento da região. Eduardo Braga criou, entre outros programas de suporte ao desenvolvimento regional, o CETAM, Centro de Educação Tecnológica do Amazonas, um mega programa de formação profissional pelo beiradão amazônico. Ou seja, proteção florestal e qualificação profissional com a pegada da sustentabilidade. Mais de dois milhões de jovens qualificados.

Não é fácil, todos sabem, mas é possível, disputar mão de obra para os jovens com o crime organizado na Amazônia. Eles não emitem NFe, não pagam imposto nem assinam carteira profissional. E isso é precisa e é urgente mudar.

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...

Inmetro reposiciona a regulação como aliada da competitividade na Amazônia

"Aproximação com o Polo Industrial de Manaus, expansão da...