Amazônia e a necessidade de transformar o conhecimento em ação

Enquanto a floresta não trouxer prosperidade para os Amazônidas e simultaneamente auxiliar o mundo a enfrentar o problema do aquecimento global, não teremos encontrado a fórmula para o nosso futuro. O problema é que este tema possui mais dúvidas do que certezas, mais paixões e fé-cega do que experimentos bem-sucedidos. Mais interesses pequenos do que grandes interesses coletivos.

Augusto Cesar Barreto Rocha
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O “conhecimento atento e aprofundado de algo” ou a ciência é interessante para todos porque pode poupar recursos. Quando há a compreensão clara sobre as relações de causa e efeito, existe a possibilidade de fazer “mais com menos”. Acontece que a ciência, ao mesmo que traz certezas, carrega sempre a dúvida. Afinal, o que era certeza ontem pode não ser mais certeza hoje. O pensamento científico é inimigo dos dogmas. É inimigo do “bom senso”, pois todos pensam que o seu “senso” seria o “bom senso” e o senso do outro seria a expressão do mau. De outra forma, o “bom senso” proporciona o bem para todos e o oposto seria a expressão do mal.

Todavia, a ciência exige um esforço, um método, uma reprodutibilidade, uma evidenciação. Quem não vive neste universo entende este aprofundamento, este esforço adicional como uma profunda inutilidade e desperdício de tempo. O mundo contemporâneo dá uma oportunidade de encontro com informações em uma escala impossível poucos anos atrás. Este ambiente que permite uma superficialidade, também permite uma grande profundidade. A questão é quem faz a intermediação e a curadoria do que é “verdade” e do que é “falsidade”. Quem teria esta legitimidade? Falta ao ambiente contemporâneo, como sempre faltou, este “dono da verdade”. Afinal, ninguém está sempre certo ou sempre errado.

Fica relativamente fácil cada um de nós compreendermos o nosso mundinho. E fica sempre complexo compreendermos os mudinhos distantes dos nossos. Se entendemos de construção de estradas, provavelmente não entenderemos de contaminações de células. Se compreendemos de vendas de bananas, é bem provável que não compreenderemos o mercado de carbono. Pelo menos não sem um esforço. Para quem quer manipular, dar acesso à ciência, consciência ou discernimento não é algo que interesse. O melhor é a fé-cega. Contudo, há realmente quem queira “libertar”?

E o que tudo isso tem de vinculação com o nosso presente na Amazônia? Tudo. Enquanto não começarmos a encontrar dúvidas e certezas coletivas, alicerçadas em alguma ciência, que construa um futuro próspero para nós e para a humanidade, não teremos solucionado o problema do desenvolvimento da Amazônia. Enquanto a floresta não trouxer prosperidade para os Amazônidas e simultaneamente auxiliar o mundo a enfrentar o problema do aquecimento global, não teremos encontrado a fórmula para o nosso futuro. O problema é que este tema possui mais dúvidas do que certezas, mais paixões e fé-cega do que experimentos bem-sucedidos. Mais interesses pequenos do que grandes interesses coletivos. Até quando teremos este comportamento distante da nossa realidade e da nossa necessidade?

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Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM.
Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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