Webinário debateu o impacto de eScience e Data Science em pesquisas sociais e políticas públicas

A pandemia de COVID-19 evidenciou com clareza a necessidade e a possibilidade de compartilhamento de dados e informações, colaboração científica em escalas local, nacional e internacional e tomada de decisões com base na ciência. Desenvolvimentos científicos e tecnológicos recentes em produção, armazenamento, processamento e análise de dados desempenharam papel relevante no contexto.

Promovido pela FAPESP, o webinário “Data Science for Social Good” discutiu como os avanços em eScience e Data Science podem ajudar no desenvolvimento de pesquisas sociais e no aprimoramento de políticas públicas.

O evento teve apresentações de Iryna Kuchma, gerente do Open Access Program, da Electronic Information for Libraries (EIFL); de Lorena Barberia, professora e pesquisadora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP); e de Priyanka Pillai, especialista em Health Informatics and Research Data da University of Melbourne.

O debate foi moderado por Claudia Bauzer Medeiros, professora titular do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em eScience e Data Science; e Eduardo Leão Marques, professor titular do Departamento de Ciência Política da USP e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa em eScience e Data Science. O diretor científico da FAPESP, Luiz Eugênio Mello, participou da abertura.

Kuchma falou das recomendações da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre ciência aberta, destacando que o maior acesso aos processos e resultados pode melhorar a eficácia e a produtividade dos sistemas científicos, reduzindo a duplicação de custos na coleta, criação, transferência e reutilização de dados e material científico; permitindo mais pesquisas a partir dos mesmos dados; e aumentando o impacto social da ciência pela multiplicação de oportunidades para participação local, nacional, regional e global no processo de pesquisa. A reutilização de dados foi o conceito mais trabalhado e exemplificado em sua apresentação.

Barberia tratou do impacto da coleta e da acurácia de dados na avaliação das políticas de mitigação da COVID-19 no Brasil. E falou de duas iniciativas voltadas para esse objetivo: a Rede de Pesquisa Solidária – Políticas Públicas & Sociedade e o Observatório COVID-19 BR.

Um tópico que se evidenciou em sua apresentação foi o de como a forte politização do tema, espraiada pelas redes sociais, dificultou o levantamento objetivo de informações, buscadas em três fontes distintas: a política governamental, o comportamento dos cidadãos e os resultados de saúde.

Em um contexto social e político bastante distinto, Pillai falou de como o engajamento público pode melhorar as políticas de saúde baseadas em dados. E, considerando quatro atores sociais distintos – os órgãos públicos de saúde, a pesquisa clínica, a pesquisa laboratorial e os comportamentos e respostas da população –, tratou da construção de pontes de dados conectando essas diferentes áreas. Harmonização de definições, acordos de compartilhamento de dados entre diferentes unidades clínicas e departamentos, protocolos de cuidado e consentimento foram alguns dos pré-requisitos apontados.

O webinário “Data Science for Social Good”, realizado em 25 de novembro de 2021, pode ser assistido na íntegra em https://www.youtube.com/watch?v=vwzxqRMB3bE.

Fonte: Agência FAPESP

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

ANOTAÇÕES PARA O NOVO LUSTRO DA ECONOMIA BRASILEIRA: 2026 A 2030 -A GRANDE TRANSFORMAÇÃO – Parte VIII

Economia brasileira pressionada por sistemas empresariais mal estruturados, crescimento...

Congresso acelera debate sobre mineração em terras indígenas após decisão do STF

Decisão judicial expõe disputa entre interesses econômicos, direitos indígenas...

Entre impostos , dívidas e apostas, a renda encurta 

“O Brasil entrou em uma fase curiosa e preocupante...

A Amazônia diante de um mundo em ruptura

Geopolítica instável, economia sob pressão e inteligência artificial reconfiguram...