Amazônia do Século XXI: Capital Natural, Desenvolvimento Sustentável e Justiça Social

O atual cenário global de destruição das florestas tropicais e mudanças no clima tem levado as sociedades a pensar com urgência em novos caminhos de desenvolvimento que contemplem a proteção da biodiversidade e as demandas sociais. A Amazônia aparece com destaque nessa discussão. A região abriga as maiores diversidades biológicas e culturais do mundo, responsáveis por garantir serviços ecossistêmicos fundamentais para o bem estar da humanidade, incluindo a regulação do clima e do regime de chuvas. 

Neste contexto, a construção de novos modelos de desenvolvimento local na Amazônia carrega uma imensa responsabilidade e desafios. Propor uma economia que promova a melhoria do bem-estar das pessoas e a equidade social, ao mesmo tempo em que alie a inovação tecnológica com a conservação da natureza faz parte disso. 

O estudo “Amazônia no Século XXI: capital natural, desenvolvimento sustentável e justiça social”,  discute estratégias e compartilha experiências positivas de desenvolvimento local que integram a proteção da biodiversidade, os direitos sociais e bem-estar das populações locais. A publicação é coordenada pela SITAWI Finanças do Bem e Instituto Juruá, no âmbito do Programa Território Médio Juruá (PTMJ). 

Programa Território Médio Juruá

O programa é uma iniciativa de desenvolvimento territorial focada no Médio Juruá. A região possui alta importância ecológica e social no estado do Amazonas. Nesse sentido, o PTMJ tem como objetivo a conservação da biodiversidade e a melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais e indígenas do território.

Com a gestão programática e financeira realizada pela SITAWI, organização pioneira no desenvolvimento de soluções financeiras inovadoras para impacto social, o PTMJ conta com o apoio da USAID, Natura e Coca-Cola Brasil. A iniciativa conecta diversos parceiros de implementação locais, como a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari (AMARU), Associação de Moradores Extrativistas da Comunidade de São Raimundo (AMECSARA), Associação de Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá (ASMAMJ) e Fundação Amazonas Sustentável (FAS). Como parceiros estratégicos, conta com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Departamento de Mudanças Climáticas e Gestão de Unidades de Conservação (DEMUC/SEMA).

Um olhar social para o conceito de bioeconomia Amazônia

A bioeconomia, um conceito em construção e protagonizado por diversos setores da sociedade, tem se transformado em uma narrativa extremamente forte na Amazônia, devido, principalmente, à alta disponibilidade de recursos naturais da região. Apesar da bioeconomia ser ainda entendida de diferentes formas no mundo, coletivos e redes intersetoriais vem contribuindo para um desenho conjunto do que se espera de uma economia verde para a Amazônia

O entendimento deve ser abrangente, contemplando não apenas a necessidade de se garantir a sustentabilidade ecológica dos recursos naturais, mas também a dimensão humana, representada pela diversidade cultural, os direitos sociais, o valor imaterial da biodiversidade para as populações locais e o extenso sistema de conhecimento que os povos indígenas e as comunidades locais vêm desenvolvendo ao longo de sua existência.

Pensar a dimensão social dentro deste conceito é um passo fundamental para que o território não seja palco de novos sistemas de governança ávidos para reproduzirem antigos modelos fracassados, onde o capital natural amazônico foi explorado de forma predatória e os benefícios financeiros dessa exploração jamais chegaram às mãos dos povos da floresta.

Baixe o documento gratuitamente aqui

Fonte: Parceiros pela Amazônia

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

0,4% contra US$ 13,29 bilhões: para onde vai o dinheiro público na Amazônia

Estudo mostra que o investimento público na Amazônia favorece o agronegócio, enquanto o crédito socioambiental é negligenciado.

Dois séculos no gênero errado: Cientistas identificam macho de gafanhoto 206 anos após descoberta

Estudo identifica macho de gafanhoto após 206 anos e explica como uma nova espécie na Amazônia é reconhecida por análises e coleções científicas.

Manaus tem o agosto mais seco em 40 anos e a vazante acelera

Nível do Rio Negro preocupa após Manaus registrar agosto mais seco em 40 anos, com calor intenso e influência do El Niño.

A teimosia que abriu a porta da logística amazônica

Ao reunir no mesmo fórum o comando da política hidroviária, o DNIT e a Marinha, o CIEAM oferece uma mostra dos resultados de uma mobilização construída ao longo dos anos. A presença qualificada do governo federal indica que os gargalos do Amazonas começam a ser compreendidos como uma questão nacional, ligada à competitividade, à arrecadação, à segurança territorial e ao futuro da economia da floresta em pé.